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Correio da Manhã

Portugal
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SETÚBAL APOSTA EM VARIANTES

O objectivo é simples mas audacioso: em quatro anos, retirar do centro de Setúbal o tráfego de passagem para diversos pontos da cidade e mesmo para concelhos vizinhos. A autarquia pretende garantir investimentos, próprios e do Estado, para criar um conjunto de variantes que aumente a fluidez de trânsito.
10 de Julho de 2002 às 21:30
A principal obra consiste em desviar a ponta sul do viaduto das Fontainhas, da Avenida Luísa Todi para a Estrada Nacional 10-4, mais junto do rio, possibilitando, nomeadamente, que o tráfego portuário e industrial, grande utilizador dessa via, seja afastado do centro e siga mais directamente para fora da cidade.

O denominado Nó das Fontainhas, orçado em quatro milhões de euros, é considerado imprescindível. Sem ele, assegura a Câmara de Setúbal, o conjunto de investimentos previstos a nível de infra-estruturas viárias perderia sentido, como indica um estudo de trânsito encomendado pela autarquia.

Além da delicada intervenção de engenharia para desvio do viaduto, aquele nó inclui a construção de um túnel sob a ferrovia, que ligará a ‘Luísa Todi’ à ladeira das Fontainhas, por forma a criar uma variante.

Com isso, a Avenida 5 de Outubro assistiria a uma redução drástica na circulação, levando à sua desclassificação. É que o tráfego dirigido à Baixa seria desviado para as saídas da cidade ou através de vias mais exteriores ao centro, implicando a criação ou a mudança de sentidos únicos, como as avenidas Jaime Cortesão, Portela, Alexandre Herculano, Guiné-Bissau, 22 de Dezembro e Infante D. Henrique.

Esta última avenida, situada entre as praças Olga Morais Sarmento e de Portugal, assumiria maior peso com este anel de circulação e, como tal, teria menos atravessamentos e ganhava um separador central.

MELHORAR ENTRADAS

A autarquia espera contar com verbas estatais para concretizar este programa até final do mandato, em 2006. Uma das componentes é ‘levar’, às portagens da auto-estrada, a estrada entre o porto/zona industrial de Setúbal e o Alto da Guerra.

“Neste caso, a intenção é melhorar as entradas da cidade. A seguir às portagens seria criada uma grande praça, com uma via até ao Alto da Guerra, de cerca de cinco quilómetros, e, se possível, uma outra, de ligação à Estrada de Palmela”, adianta ao CM o vereador do Urbanismo, Aranha Figueiredo.

Uma terceira variante com vista a compor esta coroa de circulação à volta de Setúbal é garantida prolongando a via rápida do cruzamento do Jumbo à Estrada dos Ciprestes, por meio de um viaduto sobre os terrenos de várzea, de ligação ao quase finalizado túnel da Avenida Rodrigues Manito, unindo assim dois troços da Estrada Nacional 10, do Alentejo a Azeitão.

PARQUES DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO E EM SILO

O programa Polis, de requalificação urbana, permitirá construir vários parques de estacionamento em Setúbal, com capacidade para cerca de 1650 lugares.

Um desses espaços será sob a Praça José Afonso, embora haja quem defenda a sua instalação na placa central da Avenida Luísa Todi. “Como o Polis gerará investimentos, justifica-se a escolha Parque José Afonso”, defende ao CM o vereador Aranha Figueiredo.

Outro parque subterrâneo surgirá junto do mercado retalhista, enquanto o terceiro espaço, em silo de três andares, será numa área que actualmente funciona como estacionamento de superfície, também na zona ribeirinha, junto da Brigada Fiscal da GNR.

Fora do Polis, há outras ideias, como um grande parque junto do hospital e a autarquia admite recorrer ao modelo construção/exploração, por forma a que sejam os privados a suportar os custos.
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