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Correio da Manhã

Portugal
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Sexo ao vivo invade as redes sociais

Casais cada vez menos preocupados com locais onde mantêm relações e com as consequências.
João Carlos Rodrigues 18 de Maio de 2017 às 08:13
Sexo em público virou moda entre os mais jovens
Telemóveis são usados para gravar vídeos
Casais sabiam que estavam a ser filmados na casa de banho do Main
Sexo em público virou moda entre os mais jovens
Telemóveis são usados para gravar vídeos
Casais sabiam que estavam a ser filmados na casa de banho do Main
Sexo em público virou moda entre os mais jovens
Telemóveis são usados para gravar vídeos
Casais sabiam que estavam a ser filmados na casa de banho do Main
A difusão de vídeos na internet com cenas de sexo em locais públicos não pára de crescer. Desde casais em pleno ato no interior de discotecas ou em jardins abertos a todos, passando por praias, escolas, quartéis militares ou hospitais, há de tudo. É uma moda que pode ter consequências para os envolvidos e que já provocou mortes por suicídio. Em Portugal, um dos casos mais recentes ocorreu numa das mais populares discotecas de Lisboa.

As imagens começaram a correr na internet em março do ano passado e mostravam vários casais na casa de banho do Main em práticas sexuais explícitas. Ao lado, amigos filmavam com os telemóveis enquanto faziam comentários de incentivo. Na altura ninguém se parecia importar com a privacidade, mas as imagens tornaram-se públicas nas redes sociais.

No verão de 2016, o vídeo de um casal a ter sexo num parque de Paredes de Coura com uma criança ao lado causou polémica. Mas as imagens, mesmo não sendo consentidas, permitiram abrir um processo criminal aos protagonistas por abusos sexuais sobre a menor.

"É uma nova realidade. Apesar de vivermos numa sociedade mais liberal e desinibida do que há algumas décadas, deve-se sobretudo à facilidade de captação e de disseminação destas situações. No anos 80, uma câmara de filmar pesava dez quilos e dava para fazer três minutos de vídeo. Hoje em dia está tudo miniaturizado. É fácil filmar e é fácil publicar de imediato na net para toda a gente ver", explica Tito de Morais, fundador do projeto ‘Miudossegurosna.net’ e especialista na área da segurança nas redes sociais.

"O primeiro erro é registar a intimidade em vídeo ou foto, mesmo quando são atos consensuais entre casais. O que é privado facilmente se torna público. O outro problema é o controlo do local. Há casos em todo o Mundo e é preciso muito cuidado, mesmo quando se trata de relações consensuais", acrescenta Tito de Morais, que defende mudanças na educação sexual dos jovens. "Os pais atuais não cresceram com acesso a estes meios e não foram educados nesse sentido. A educação sexual centra-se no toque físico, mas esse toque passou a ser feito por via digital, através de fotos e vídeos", alerta.

Regras das Redes sociais contornadas 
O Facebook, tal como o YouTube e outras redes sociais, não permitem pornografia, conteúdos que incentivem o ódio, ameaças, violência gráfica ou agressões, mas a regra é contornável.

"Dever de não aceitar"
Quintino Aires - Psicólogo clínico
CM – Os jovens que assistem ao ato sexual estão bastante animados. Como explica a atitude do grupo?
Quintino Aires – É uma forma primitiva do comportamento humano. Tinham o dever de não aceitar o caso mas não tiveram a capacidade de o travar.
– Porquê?
– A estrutura cerebral do pré-frontal não está desenvolvida, não atingiu a maturação. É a área do cérebro do pensamento, planeamento, premeditação e capacidade de avaliar as consequências. Podiam pensar em fazer mas não o praticar. Isso não aconteceu.
– O álcool ajudou?
– Potencia os ânimos mas reduz a atividade cerebral.
– Que impacto tem na rapariga?
– Avassalador. Há marcas difíceis de tratar. Precisa da ajuda de um psicólogo.
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