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Correio da Manhã

Portugal
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SILÊNCIO ENVOLVE ATAQUES RACISTAS

O silêncio da população pode vir a prejudicar as investigações da polícia da Irlanda do Norte ao ataque racista de que foram alvo duas famílias portuguesas, originárias de Timor-Leste, na madrugada de sábado, na cidade de Portadown. No último ano, segundo a imprensa irlandesa, apenas foram deduzidas oito acusações, apesar de o número de incidentes comunicados às autoridades rondar os 450 casos.
23 de Agosto de 2004 às 00:00
A Polícia recebeu mais de 450 participações, mas apenas há oito acusações por ataques tracistas
A Polícia recebeu mais de 450 participações, mas apenas há oito acusações por ataques tracistas FOTO: D.r.
Em declarações ao jornal 'Belfast Telegraph', um inspector da polícia irlandesa afirmou que os membros da comunidade "sabem quem está por trás dos ataques".
Apesar de a maioria dos incidentes não ser passível de acusação judicial, a verdade é que existem 174 investigações em curso. Uma delas diz respeito ao ataque a duas famílias portuguesas, anteontem de madrugada: as portas de três apartamentos foram atacadas a pontapé e à paulada.
Os cinco adultos e as duas crianças foram realojadas temporariamente. "Não estou zangado, mas um pouco triste", disse à BBC um dos emigrantes, Toni António.
O ataque, o segundo a portugueses na Irlanda do Norte nos últimos dias, depois de um outro emigrante ter escapado a uma garrafa incendiária, levou o primeiro-ministro timorense, Mário Alkatiri, a afirmar à Lusa que se trata de "uma grande infelicidade".
Face ao número crescente de ataques racistas, as autoridades irlandesas vão proceder a alterações legislativas no próximo mês e as penas a aplicar aos autores dos ataques vão ser mais pesadas.
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