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Correio da Manhã

Portugal
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Sinal extraído a doente foi para o lixo

O Tribunal de Coimbra deu ontem como provado que um sinal semelhante a uma verruga, retirado em 2002 do nariz de uma paciente, foi “atirado para o lixo”, mas não conseguiu atribuir responsabilidades concretas.
29 de Janeiro de 2008 às 00:30
Em causa está um pedido de indemnização cível apresentado por uma professora de Leiria, que reclama a devolução do valor da intervenção cirúrgica (1500 euros) e uma indemnização de 80 mil euros pelos danos que a perda da “peça” – do tamanho de um grão de arroz – lhe causou.
O sinal deveria ter sido enviado para análise patológica. A queixosa tinha dúvidas sobre a sua perigosidade, embora os médicos lhe garantissem que era benigno. Apesar disso, a professora – por ter casos na família de pessoas com cancros – foi formando a opinião contrária e afirma ter sofrido a nível psicológico a partir do momento em que soube da perda do sinal. Por isso, decidiu processar os dois cirurgiões que a operaram e três clínicas de Coimbra.
Na resposta aos quesitos divulgada ontem, a 1ª secção da Vara Mista do Tribunal da Comarca de Coimbra, deu como provado que o sinal foi “atirado ao lixo” e que a queixosa ficou “angustiada, triste e desgostosa e continuou a não ter apetite e a perder peso”. Em consequência do seu estado de saúde, recebeu tratamento hospitalar e foram-lhe receitados medicamentos antidepressivos e ansiolíticos.
O Tribunal não conseguiu atribuir responsabilidades concretas a qualquer dos intervenientes na cirurgia, mostrando-se, no entanto, convicto de que os cirurgiões seriam os únicos a saber que o sinal deveria ser preservado.
Na resposta aos quesitos, afirma-se que a “peça foi colocada numa taça com soro, em cima da mesa de apoio, que mais tarde seria colocada num frasco para ser remetida para exame de anatomia patológica”.
A auxiliar médica que arrumou a mesa cirúrgica foi depois até à porta da sala de operações e entregou a taça a outro funcionário, que lançou o seu conteúdo para a conduta de detritos orgânicos. A auxiliar médica e a enfermeira, também rés, “não sabiam que havia material para análise”. O cirurgião-ajudante pediu à queixosa uma indemnização cível de 25 mil euros, afirmando que foi posta em causa a sua honra profissional.
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