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Correio da Manhã

Portugal
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Sindicato acusa Câmara de Lisboa de violar lei

O Sindicato de Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) acusou esta quinta-feira a Câmara Municipal de violar a lei da greve ao ter reduzido os serviços mínimos dos Sapadores Bombeiros, que estão paralisados desde 28 de Dezembro.

5 de Janeiro de 2012 às 13:55
Bombeiros sapadores dizem que socorro está comprometido em Lisboa
Bombeiros sapadores dizem que socorro está comprometido em Lisboa FOTO: d.r.

Numa conferência de imprensa, o sindicalista Delfino Serras sublinhou que, "neste momento, não há condições para fazer o socorro na cidade de Lisboa" e lembrou que os responsáveis da câmara "foram eleitos também para zelar pela segurança da cidade".

O vereador da Proteção Civil, Manuel Brito, reduziu na quarta-feira à noite os serviços mínimos da greve dos Sapadores Bombeiros para "evitar o pagamento do vencimento e horas extraordinárias". Segundo o vereador, os bombeiros em greve "apresentam-se à mesma no local de trabalho para garantir os serviços mínimos, assinam a folha de presenças e recebem o respectivo salário".

Na prática, metade dos bombeiros que estava nos quartéis receberam ordens para ir para casa. Os Sapadores Bombeiros estão em protesto contra a intenção da autarquia de introduzir um quinto turno no regimento sem aumentar o número de efectivos, alegando que os turnos ficam com pouco pessoal. A greve é feita aos pedidos mais pequenos de socorro, como fechar torneiras de água, abrir portas ou limpar estradas, uma vez que os bombeiros não podem recusar ir a serviços mais graves como incêndios ou acidentes.

Afirmando que a redução dos serviços mínimos é "ilegal e imoral", Delfino Serras defendeu que a "câmara tem de ser penalizada por esta situação". Segundo o sindicalista António Pascoal, também presente na conferência de imprensa, além da redução para metade dos bombeiros que estavam nos quartéis, todos os carros que transportam água em caso de incêndio foram retirados, a única ambulância que estava a fazer serviços mínimos foi colocada fora de serviço e o quartel de Chelas, "um dos mais importantes", está a ser assegurado por estagiários.

"Esta é uma situação gravíssima e coloca em causa o socorro na cidade de Lisboa", frisou. Os Sapadores Bombeiros contestam a introdução de um quinto turno no regimento sem a contratação de mais bombeiros, alegando que os actuais quatro turnos já estão a trabalhar "com o mínimo dos mínimos". Actualmente existem 120 homens por turno, divididos em 10 quartéis, numa média de 12 bombeiros por quartel. "É reduzidíssimo. O ideal seria 200 homens por turno e o quinto turno ainda vai reduzir o número de elementos, ficando cerca de 90 homens por turno, o que é manifestamente desajustado para a cidade", disse António Pascoal.

Para os sindicalistas, com a introdução do quinto turno, deviam ser integrados também mais 260 bombeiros no regimento. A greve dos Sapadores Bombeiros, que está a registar uma adesão média de 92%, vai prolongar-se até às 24:00 de domingo. A autarquia tem afirmado que a paralisação "em nada afecta as necessidades de socorro" da capital.

RSB Bombeiros Sapadores Lisboa
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