Em causa está o facto de o comandante ter decidido "colocar na prateleira mais de 20 voluntários, tão-somente porque os mesmos se pronunciaram livremente sobre a vida da corporação, reagindo a comportamentos abusivos e violadores dos elementares direitos fundamentais".
O Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC) exigiu "a imediata demissão do comandante dos Bombeiros Voluntários de Areosa/Rio Tinto", Marco Martins, que rejeitou esta segunda-feira à Lusa as acusações e disse estar a ser alvo de "uma perseguição política".
Em comunicado, o SNPC indica que em causa está o facto de o comandante daquela corporação do concelho de Gondomar, Marco Martins, ter decidido "colocar na prateleira mais de 20 voluntários, tão-somente porque os mesmos se pronunciaram livremente sobre a vida da corporação, reagindo a comportamentos abusivos e violadores dos elementares direitos fundamentais".
Classificando o alegado comportamento do comandante e ex-presidente da Câmara de Gondomar, no distrito do Porto, de "situação vergonhosa que não dignifica o estatuto dos soldados da paz", o sindicato acusa Marco Martins de ter "desencadeado processos de suspensão sem fundamento".
Em declarações à Lusa, Marco Martins afirmou esta segunda-feira estar a ser alvo de "uma perseguição política" e considerou que o SNPC está a agir desta forma depois de a direção dos bombeiros decidir avançar para tribunal contra o sindicato, "por falsificação de documentos e por ter simulado a eleição de um delegado sindical que não o podia ser por não ser funcionário dos bombeiros".
O SNPC critica ainda que o comandante tenha instaurado 21 processos disciplinares em nove meses de funções.
O ex-autarca defende-se também afirmando que da parte do SNPC "não há nenhuma queixa de roubo, de falsificação, de aproveitamento, de adulteração de situações, de agressão a bombeiros", sublinhando que a única queixa feita há quatro meses "é que o comandante era demasiado exigente".
Sobre o facto de ser criticado pelo grau de exigência, sublinhou que os "resultados operacionais são os melhores de sempre".
"E mesmo aqueles bombeiros que tinham sido influenciados por outros para aquela questão da [passagem à] reserva já voltaram", revelou Marco Martins, que lembrou ocupar "o cargo gratuitamente".
E acrescentou: "este sindicato não representa nenhum trabalhador" na corporação.
O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Areosa/Rio Tinto, Rui Oliveira, confirmou "estar a ser preparada uma queixa contra o sindicato" e referiu que o "único associado do sindicato (...) no sábado enviou um e-mail à direção a dizer que não se revia nas declarações apresentadas por esse sindicato e que, por isso, ia renunciar".
Rui Oliveira denunciou ainda que a publicação do comunicado, no sábado, pelo sindicato visa "desestabilizar" a assembleia-geral, agendada para esta segunda-feira à noite, na qual será mostrado que "o ano 2025 foi o melhor em termos financeiros, em termos de contas, o melhor de sempre".
"Não podemos ver isto de uma outra forma, é para destabilizar", continuou.
Sobre a polémica com os bombeiros alvos de processos disciplinares, Rui Oliveira disse que "só houve um indivíduo expulso enquanto bombeiro", e que "a maioria do corpo ativo, num total de 70 bombeiros, está com o comandante".
Contactado pela Lusa, o secretário-geral do sindicato, José da Costa Velho, afirmou esta segunda-feira que o SNPC conta com cerca de 15 associados daquela corporação, todos voluntários e que apenas "um trabalhador assalariado era sócio do sindicato, tendo-se desvinculado no sábado".
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