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Correio da Manhã

Portugal
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Sinto culpa pela morte dos dois

Armindo Fernandes, de 46 anos, motorista de pesados, foi o último da família a saber que os cogumelos que apanhou, juntamente com o primo Carlos, foram a causa da morte do tio, José Rodrigues, e de outro primo, Luís. Armindo e Carlos colheram uns “cogumelos amarelos”, há pouco mais de uma semana, próximo de Pegões. À dor que sente, Armindo soma o desgosto de saber que a intoxicação atirou para o hospital, além dele próprio, mais dez familiares, incluindo as duas vítimas mortais.
27 de Novembro de 2006 às 00:00
Armindo Fernandes não sabe como vai 'conseguir encarar a família'
Armindo Fernandes não sabe como vai 'conseguir encarar a família' FOTO: Duarte Roriz
Sentado à cabeceira da cama número três de um quarto do Serviço de Medicina do Hospital de S. José, em Lisboa, onde se encontra internado desde segunda-feira, Armindo Fernandes diz, em jeito de juramento: “Sinto culpa pelas mortes do meu tio e do meu primo. Nem sei como vou conseguir encarar a família quando sair do hospital. Só sei que não volto a comer cogumelos na vida.”
Recorda que “até aos 17 anos”, quando veio viver para Lisboa, sempre apanhou cogumelos nos pinhais da terra natal, Castro Daire. “Conheço-os, sei os que são perigosos, os vermelhos. Os que apanhei eram amarelos, pensava que eram bons.”
De pijama às riscas e roupão estampado, Armindo Fernandes só quer voltar para casa com a mulher e a filha, também internadas em S. José. O filho, de 16 anos, já teve alta.
SOBREVIVENTES CONTINUAM ESTÁVEIS
Os três doentes internados no Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira, permanecem numa situação clínica estável, mas estão emocionalmente destroçados com a morte de dois familiares, José e Luís Rodrigues – pai e um dos três filhos – desconhecendo-se por enquanto quando será realizado o funeral que, segundo a família, poderá ser feito na terra natal, em Castro Daire.
João Morais, médico responsável pelo Serviço de Observações daquele hospital, disse ontem ao CM que “não se registou qualquer evolução negativa no estado clínico destes doentes”. Por enquanto parece estar afastada a necessidade de estes três doentes, além dos outros três internados no Hospital de S. José, necessitarem de um transplante de fígado, uma solução terapêutica recorrente nos casos de envenenamento causado pela ingestão de cogumelos perigosos. O transplante é feito porque, segundo especialistas, o fígado fica completamente destruído.
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