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Correio da Manhã

Portugal
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SINTRA VAI PEDALAR

Sintra vai instalar uma Rede Municipal de Ciclovias (RMC) no concelho com 92 quilómetros de extensão, subdividida em três corredores: atlântico, de cintura e urbano. O estudo prévio está concluído e o lançamento do projecto de execução está previsto para o início de 2003, soube o CM junto do vereador do Ambiente da câmara sintrense, Lino Ramos.
24 de Novembro de 2002 às 00:00
O modelo estudado e a implementar prevê a delimitação de três áreas que darão lugar a outros tantos corredores. A área do corredor atlântico, correspondente à zona do Parque Natural Sintra-Cascais, terá 62 km, o de cintura, que ligará Lapiares de Negrais a Montelavar, com 16 km e o corredor urbano, a acompanhar a linha do caminho-de-ferro de Sintra, entre esta localidade e Queluz-Massamá, numa extensão de 14 km.

Os três corredores desenvolvem-se na influência directa de 15 freguesias onde reside um total de 400 mil habitantes. A implementação desta iniciativa visa, segundo os responsáveis do executivo autárquico, aliviar a pressão do tráfego automóvel a que o concelho está sujeito, e permitir uma oferta turística diferente, a nível de transportes, àqueles que procuram a localidade para conhecer o seu património natural e histórico.

QUATRO MIL UTILIZADORES

Numa primeira abordagem à bicicleta, como meio de transporte alternativo numa estratégia de mobilidade sustentável, o vereador Lino Ramos considera que podem ser quatro mil os utilizadores. A RMC visa reforçar a estratégia global de acessibilidades, "nesta altura saturadas", reconhece o autarca.

Na elaboração do desenho das vias a autarquia terá como principais preocupações o meio ambiente, a adequação ao sistema viário existente, a topografia dos locais e o enquadramento na paisagem.

O único local mais acidentado será junto ao sítio de Negrais, "devendo ser compensado com a beleza natural da zona", sublinha o autarca.

Nos aglomerados, a autarquia pretende que as propostas de reestruturação viária e de melhoria dos espaços públicos de circulação sejam compatíveis com os outros de partilha dos peões e bicicletas em segurança.O investimento a efectuar ainda não está avaliado.

PISTAS DEVEM SER PRÁTICOS

As ciclovias devem ser vistas na óptica do utilizador e estar preparadas para fazer pequenos percursos utilitários, “como sejam da casa ao supermercado, aos correios, ou ao interface e nem sempre isso acontece”, constatou ontem em declarações ao CM José Manuel Caetano, presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUC).

Sintra é um dos exemplos em que a federação ‘emprestou’ ideias à câmara. Outros casos já em marcha estão também na mira dos autarcas sintrenses.

Cascais e Aveiro são exemplos bem sucedidos. No primeiro caso foi construído um corredor na marginal do Guincho aproveitando uma área de paisagem natural e, na ‘Veneza portuguesa’ a ideia foi ‘agarrada’ com a criação das ‘Bugas’, bicicletas colocadas ao serviço dos cidadãos, uma ideia que Sintra pode adoptar.
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