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Correio da Manhã

Portugal
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Situação na Catalunha "é sensível" para os interesses portugueses

Para o Governo português, "a Constituição e a lei são o quadro próprio para enfrentar a questão, que existe e tem contornos sociais e políticos".
Lusa 6 de Novembro de 2017 às 21:56
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva
O ministro dos Negócios Estrangeiros português escusou-se esta segunda-feira a comentar a prisão preventiva de oito ex-governantes da Catalunha e disse que a situação política naquela região "é sensível" para os interesses portugueses.

"Entendemos que a questão catalã é interna ao Estado, à sociedade e ao povo de Espanha. Respeitamos a Constituição espanhola e não comentamos decisões judiciais tomadas pelas autoridades competentes", disse esta segunda-feira, no parlamento, o ministro Augusto Santos Silva, numa alusão à colocação em prisão preventiva de oito ex-governante catalães pela Audiência Nacional espanhola.

Para o Governo português, "a Constituição e a lei são o quadro próprio para enfrentar a questão, que existe e tem contornos sociais e políticos que ninguém deve secundarizar ou muito menos esquecer".

"O quadro da Constituição e do processo político é o quadro adequado para o diálogo responsável entre os agentes e as instituições políticas pertinentes", salientou.

Portugal, salientou, acompanha "com muita atenção e com muito cuidado", por entender que a situação é "também sensível para vários dos interesses portugueses, interesses de vizinhança, interesses com os portugueses que vivem na Catalunha e interesses do muito denso relacionamento económico e social que existe entre instituições e agentes portugueses e instituições e agentes espanhóis e, dentro deles, catalães".

O governante respondia a uma pergunta do Bloco de Esquerda, durante a audição pelas comissões parlamentares de Assuntos Europeus e Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2018.

A deputada bloquista Isabel Pires considerou que as eleições regionais, marcadas para 21 de dezembro, "não têm a garantia mínima de democraticidade", dada a prisão de oito membros do Governo catalão destituído.

Para o BE, o Estado português "deveria ter tido uma posição mais forte, porque se trata de defender direitos".

"Como é possível não dizer nada sobre utilização de força policial extrema de um Estado sobre o seu próprio povo?", perguntou Isabel Pires, referindo-se à intervenção da Guardia Civil e da Polícia Nacional espanhola sobre populares que queriam votar ou que guardavam mesas eleitorais no dia do referendo independentista inconstitucional, a 01 de outubro.
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