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Correio da Manhã

Portugal
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Skins ameaçam matar

Onze ‘skinheads’ encontraram quatro pessoas sem abrigo, três brancos e uma rapariga negra, sábado à noite, a meio da Rua do Ouro, em Lisboa. A rapariga foi insultada pelos nacionalistas, três deles armados com soqueiras e correntes, e acusa um de a ter ameaçado com um tiro de pistola. Foi um popular que lançou o alerta à PSP e o grupo de radicais seguiu a pé até à Praça do Comércio. Minutos depois foram apanhados num enorme cerco policial.
14 de Junho de 2006 às 00:00
Dezenas de militantes de extrema-direita circularam em Lisboa na noite do último sábado, 10 de Junho
Dezenas de militantes de extrema-direita circularam em Lisboa na noite do último sábado, 10 de Junho FOTO: Sérgio Lemos
Cabeças-rapadas e símbolos nazis tatuados pelo corpo, os onze extremistas vestiam botas, calças e ‘t-shirts’ pretas. Festejavam o Dia de Portugal e chegaram do Barreiro, Caldas da Rainha e Figueira da Foz. “São apenas onze dos muitos nacionalistas” que andaram naquela noite em Lisboa, garante ao CM fonte ligada à Extrema-direita. O encontro explosivo deu-se às 22h50.
Os onze, entre os 18 e os 32 anos, “desciam a Rua do Ouro e lançaram insultos racistas contra o grupo de sem--abrigo que costuma pernoitar por ali”, disse ao nosso jornal fonte policial.
O principal alvo “era uma rapariga, negra, com pouco mais de 20 anos”. Tanto ela como os três amigos, não se ficaram e “ripostaram aos onze provocadores”. A discussão entre os dois grupos aqueceu e nas mãos de três ‘skinheads’ já se viam soqueiras de ferro enfiadas nos dedos e correntes que, “normalmente, usam à cintura”, diz a mesma fonte.
Os vários insultos passaram rapidamente a ameaças e um dos ‘skinheads’, “armado com uma pistola de alarme adaptada para calibre 6,35 mm, terá dito à rapariga que lhe dava um tiro”.
POLÍCIA EM ACÇÃO
“Alguém que não se quis identificar” marcou o 112 e o alerta “chegou via central” às várias unidades da PSP. “Sabíamos que era uma noite de risco, pelos festejos nacionalistas do Dia de Portugal” – e, em poucos minutos, já chegavam à Rua do Ouro duas brigadas de investigação criminal, vários elementos da Secção de Intervenção Rápida e dois carros-patrulha da PSP.
Os onze homens ligados ao movimento de Extrema--direita já lá não estavam. “Desceram até ao Cais de Sodré e acabaram por ser interceptados quando se preparavam para apanhar o barco, na estação sul e sueste, junto à Praça do Comércio.”
Não resistiram ao enorme cerco policial. “Oito estavam desarmados e foram só identificados” – e três foram detidos “na posse de uma pistola, soqueiras, correntes e ainda um ferro pontiagudo”.
Passaram duas noites nos calabouços do Governo Civil e, presentes ontem ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, aguardam julgamento com apresentações periódicas à PSP.
GRANDE ADESÃO NA REGIÃO OESTE
CONTROLO
As movimentações ‘skinheads’ aumentaram no último ano na região Oeste, em particular nas Caldas da Rainha e Peniche, motivando maior controlo por parte da PSP.
VIOLÊNCIA
Um grupo de ‘skinheads’, ligados ao PHS (Portuguese Hammer Skin), destruiu dois bares, agredindo funcionários e clientes, em Abril do ano passado, em Peniche.
CONCERTO
Uma concentração e um concerto de ‘skinheads’ já se realizaram este ano no Centro de Juventude das Caldas da Rainha, apesar dos vários protestos da população.
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