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Correio da Manhã

Portugal
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Só o Estado é que poupa

Os portugueses estão a pagar os medicamentos mais caros desde o dia 1 de Janeiro, resultado da entrada em vigor da redução da comparticipação do Estado e de não ter sido ainda aplicada a medida que prevê a diminuição em seis por cento do preço dos remédios à venda nas farmácias.
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
Só o Estado é que poupa
Só o Estado é que poupa FOTO: Pedro Catarino
A denúncia foi ontem feita na Assembleia da República pela deputada social-democrata Regina Bastos, por ocasião da interpelação dos deputados ao ministro da Saúde, Correia de Campos, que foi ao plenário dar explicações sobre as medidas que tem adoptado nos últimos dois anos de governação.
Regina Bastos criticou a actuação de Correia de Campos ao declarar que os portugueses estão a pagar os medicamentos mais caros desde o início do ano. “A redução da comparticipação do Serviço Nacional de Saúde nos medicamentos entrou em vigor logo no dia 1 de Janeiro, mas os preços ainda não baixaram seis por cento, como o senhor ministro apregoou tanta vez.”
A deputada criticou ainda a “insensibilidade social” de Correia de Campos pelas prioridades que defende, designadamente quanto ao pagamento das novas taxas moderadoras – nos internamentos hospitalares até ao décimo dia e nas cirurgias que não obrigam a internamento.
Regina Bastos referiu-se ainda aos aumentos dos preços dos meios complementares de diagnóstico, que “leva os idosos a pagar mais 196 por cento por uns exames de diagnóstico, como sejam a realização de análises clínicas”.
Correia de Campos não conseguiu evitar um rubor na cara ao ouvir esta crítica e respondeu que a redução do preço de “alguns produtos [medicamentos] vai ocorrer em Fevereiro/Março”.
O corte no investimento e nos orçamentos dos hospitais e centros de saúde foi criticado pelo deputado Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. “Esta poupança assenta em grande medida na transferência de mais custos para os utentes, que suportam já de uma forma directa mais de 30 por cento das despesas com a saúde, ao contrário dos países da União Europeia.”
Entretanto, o ministro Correia de Campos desvalorizou a saída de profissionais de saúde dos hospitais públicos para o sector privado, uma situação que abrange mais de 60 médicos que, nos últimos meses, pediram licença sem vencimento, muitos dos quais são especialistas com um elevado grau de especialização profissional.
O governante anunciou ainda a redução de 1,4 por cento na despesa do Serviço Nacional de Saúde com os medicamentos vendidos nas farmácias em 2006, abaixo da meta de crescimento zero estabelecida pela tutela no início do ano passado.
O Parlamento aprovou ainda um projecto do PS que recomenda ao Governo a adopção de medidas para a expansão do consumo de medicamentos genéricos.
MÉDICOS PODEM SER EXPULSOS
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Pedro Nunes, admitiu ontem que há clínicos que podem vir a ser expulsos da instituição – e impedidos de exercer a profissão – caso venha a provar-se as suspeitas de corrupção de 14 médicos por receitarem medicamentos a troco de convites para a participação em congressos no estrangeiro. “Três deles são preocupantes, podendo haver matéria de corrupção”, declarou. “Já dissemos ao ministro que, se precisar de uma peritagem independente para analisar estes casos, a OM está disponível para colaborar.” Caso se comprovem as suspeitas, esses médicos poderão ser “punidos e até expulsos da Ordem”.
Segundo aquele responsável, o sistema de vinhetas não é a única forma de prescrição, a qual é fácilmente replicada com um aparelho de supermercado”.
APONTAMENTOS
IPO MUDA DE LOCAL
O ministro da Saúde, Correia de Campos, anunciou ontem, em S. Bento, que o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa vai ser transferido para um concelho periférico de fácil acesso.
SAÚDE FAMILIAR
Correia de Campos afirmou que até ao dia 31 de Dezembro de 2006 tinham sido apresentadas 136 candidaturas para Unidades de Saúde Familiar (USF), envolvendo 1170 profissionais e 740 mil doentes. Hoje estão já a funcionar 43 USF e 18 candidaturas foram aprovadas.
MAIS CONSULTAS
À acusação de ter restringido serviços de saúde com os cortes orçamentais, o ministro responde: as consultas externas aumentaram 4,7%, as primeiras consultas 4,8%. A somar a uma diminuição da despesa em 300 milhões de euros.
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