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Correio da Manhã

Portugal
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Só queria assustar

O homem de 68 anos suspeito de ter assassinado a tiro de caçadeira o presidente da Junta de Vila Franca das Naves, em Trancoso, disse ontem em Tribunal “que não tinha intenção de o matar”, referindo que “apenas o queria assustar” quando disparou a arma.
17 de Outubro de 2006 às 00:00
João Loureiro, que está em prisão preventiva, à chegada ontem ao Tribunal
João Loureiro, que está em prisão preventiva, à chegada ontem ao Tribunal FOTO: Paulo Santos Pereira
João de Castro Loureiro, ex-emigrante, começou ontem a ser julgado no Tribunal de Trancoso pelos crimes de homicídio qualificado e posse de arma proibida. O caso remonta a 27 de Setembro do ano passado quando o autarca, acompanhado por mais três funcionários da junta, se deslocou à residência do arguido para retirar umas pedras e vasos de flores que impediam o estacionamento.
Durante a meia hora de interrogatório, o suspeito referiu ao Colectivo de Juízes, presidido por Heitor Osório, que aquele local “era uma apartamento privado”. “Era só para mim”, afirmou. Contou então que depois de ter abordado o autarca e deste lhe ter dito que “quem manda aqui sou eu”, se dirigiu à sua residência e pegou na caçadeira “para lhe meter medo e ver se se ia embora”.
“Depois enervei-me e disparei sobre ele. Não era para o matar”, disse o idoso, salientando que depois se recolheu em casa onde limpou a arma e esperou pelas autoridades.
A mulher do suspeito foi a segunda pessoa a ser ontem interrogada. Amália Loureiro disse que naquela manhã foi chamar o marido à cama na altura em que o autarca tentava retirar as pedras do estacionamento.
A mulher viria a ser expulsa do Tribunal pelo juiz quando chamou “mentiroso” a um dos funcionários da junta de freguesia que assistiu ao homicídio. Esta testemunha disse ao colectivo ter ouvido Amália Loureiro a incitar o marido a “matar” o autarca.
Nas alegações finais o advogado de defesa pediu ao Tribunal para que o arguido seja condenado por homicídio simples e não qualificado, como pediu o Ministério Público. A leitura do Acórdão será no dia 6 de Novembro.
TRIBUNAL COM SEGURANÇA REFORÇADA
O julgamento do alegado homicida do autarca de Vila Franca das Naves começou ontem em Trancoso rodeado de fortes medidas de segurança. Por forma a que tudo decorresse com normalidade, a GNR montou um forte sistema de vigilância em redor do Tribunal de Trancoso. Já no interior, os militares revistaram todas as pessoas com um detector de metais.
Segundo o comandante do Destacamento da GNR de Pinhel, capitão Lourenço, foi mobilizado para
o Tribunal “o efectivo necessário” para a situação. O assassinato de Miguel Madeira causou grande consternação nos habitantes de Vila Franca das Naves, onde era muito estimado.
Na altura do crime, alguns populares tentaram agredir a mulher do suspeito por considerarem que ela “também deveria estar presa” por ter sido “a provocadora da morte do autarca”. Desde essa altura que a mulher, de 84 anos, foi alvo de protecção por parte da GNR.
A sessão do julgamento, muito concorrida por populares, decorreu sem problemas.
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