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Correio da Manhã

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Só três metros de duna separam mar da mata

Faltam apenas três metros para que o mar rompa a duna na praia de São João da Caparica, concelho de Almada, e ameace a mata de São João, que se encontra dois metros e meio abaixo do nível do oceano.
1 de Abril de 2006 às 00:00
O risco de inundação levou sete concessionários da zona a pedirem a intervenção urgente dos deputados da Assembleia da República junto do Instituto da Água, no sentido de ser encontrada uma solução capaz de impedir o avanço do mar. O apelo levou ontem os parlamentares socialistas Vítor Ramalho, Ana Catarina Mendes e Alberto Antunes a visitar o local, onde confirmaram a gravidade da situação.
“É necessária uma tripla intervenção na zona. Em primeiro lugar, um trabalho que está praticamente concluído consiste no reforço dos esporões. Em segundo lugar, é necessária uma reposição de areias na ordem das 300 milhões de toneladas”, precisou Alberto Antunes.
“Numa terceira fase é necessária a elaboração de um plano que permita a defesa do cordão dunar, de forma a que seja evitada a construção de um paredão. Neste último trabalho, para além da intervenção do Instituto da Água, cabe também à Câmara Municipal de Almada elaborar o plano de pormenor para o local”, esclareceu ainda o socialista.
A concretização destas soluções pode, no entanto, ficar seriamente comprometida caso o mar avance nos próximos dias na zona do Búzio Bar, onde a língua de duna não tem hoje mais de três metros de largura.
“É preciso agir já”, diz Jorge Miranda, proprietário do bar, que encara com muita preocupação a fúria do mar.
“Nesta última semana gastei 500 euros só para uma máquina colocar areia junto do bar. Entretanto, o mar já comeu praticamente toda essa areia”, desabafou. “No futuro não sei como isto vai ser, para lá da duna, a terra está abaixo do nível do mar e se a duna romper neste local vai ser o diabo.”
TRABALHOS EM MARCHA
INAG ATENTO
O Instituto da Água (Inag) é responsável pela reconstrução dos esporões. Perante a dinâmica do mar, efectua uma observação diária da situação a fim de actuar de imediato para que o mar não rompa a duna, garantiu ontem ao CM fonte do Ministério do Ambiente.
SOLUÇÃO
O deputado Vítor Ramalho informou que a solução para impedir a erosão da costa na zona de S. João da Caparica passa pela concretização de um estudo elaborado pela Faculdade de Engenharia do Porto que actue como uma barragem que segure o areal.
SEIS METROS
O areal das praias de S. João da Caparica está cortado em dois níveis: um primeiro ao nível do mar e um outro seis metros mais alto, que a cada maré é comido em cerca de dois metros de extensão, segundo afirmam os concessionários dos bares da praia.
AREAL QUASE INEXISTENTE
"MAR ENGOLIU O MEU BAR" (VÍTOR CERQUEIRA, CONCESSIONÁRIO)
“Nunca vou esquecer 7 de Janeiro de 2001. Nessa noite, o mar engoliu o meu bar. Ficava 60 metros mais à frente onde depois construí este, o Kontiki, bar que volta novamente a estar em perigo. Parece impossível como é que há cinco anos onde hoje é mar havia um extenso areal.”
"RISCO MUITO ELEVADO" (JOSÉ CARLOS FERREIRA, GEÓGRAFO)
“Desde de 1999, altura da elaboração do ordenamento da área costeira, que sublinho que há um risco muito elevado de erosão na zona da Costa de Caparica, desde a Cova de Vapor até à praia do Rei. Para além da construção dos esporões, é ainda necessário alimentar de areia as praias.”
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