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Correio da Manhã

Portugal
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Sobreviveu a queda do nono andar

Uma discussão entre namorados acabou ontem na queda de uma rapariga de 18 anos, do nono andar de um prédio, em Santarém. A jovem sobreviveu, mas corre perigo de vida. A PSP está a investigar.
20 de Novembro de 2006 às 00:00
Os moradores do número 14 da Praceta Eduardo Rosa Mendes acordaram sobressaltados: primeiro pelo barulho provocado pela discussão do casal, depois pelos pedidos de ajuda da jovem, estatelada num monte de terra e ervas, nas traseiras do prédio.
Pouco passava das 04h00, quando ocorreu a queda. A rapariga precipitou-se da varanda do último andar – uma altura de mais de 20 metros – e foi batendo nos estendais de roupa, até cair numa zona de terra.
Apesar do aparatoso trambolhão, a jovem sobreviveu e nunca perdeu os sentidos. “Esteve sempre consciente e só pedia que a ajudassem”, contou ao CM uma vizinha, que não se quis identificar.
Os médicos prestaram-lhe os primeiros socorros no local e levaram-na para o Hospital de Santarém.
Ontem à tarde, mantinha-se em “estado grave, sob prognóstico reservado”. Segundo fonte hospitalar, ia ser transferida para a Unidade de Cuidados Intensivos.
“É um milagre ela ter-se salvo”, comentava uma moradora, recordando, que há uns anos, “um gato caiu do sétimo andar e morreu”.
A rapariga partilhava o apartamento com o namorado, um homem de 31 anos, desde o Verão. Ele está ligado à área da prestação de cuidados de saúde, ela trabalha numa pastelaria da cidade.
Apesar de serem novos no prédio e de se cruzarem com pouca frequência com os vizinhos, a moradora que aceitou falar ao CM refere que havia “conflitos frequentes” entre o casal.
Na madrugada de ontem, voltaram a discutir. De acordo com informações da PSP de Santarém, o desentendimento terá surgido por o homem ter “chegado tarde a casa e embriagado”. As autoridades foram informadas de que a jovem terá tentado atirar-se do prédio noutras ocasiões, mas não arriscam classificar a ocorrência antes de concluírem as investigações.
DISCUSSÕES FREQUENTES
Os moradores do prédio onde ocorreu a queda têm muitas dúvidas sobre a forma como caiu a jovem. “Antes de ela cair, ouviu-se um estrondo muito grande no último piso e o barulho de objectos em vidro a partir-se”, disse uma vizinha. Os sinais de destruição, de resto, eram visíveis ontem de manhã, à porta do apartamento. Alguns moradores sublinham ainda o facto de ambos discutirem com frequência e de ela ter ameaçado matar-se por mais do que uma vez.
VIOLÊNCIA
QUEIXAS
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima recebeu 12 809 queixas de violência doméstica em 2005. A maioria das vítimas tem entre 26 e 45 anos e o agressor, por norma, é o próprio cônjuge.
CUSTOS
Os custos sociais da violência doméstica em Portugal estão estimados 360 milhões de euros por ano, quase um milhão de euros por dia.
MORTES
Os dados estatísticos da PSP e GNR revelam que, entre 2000 e 2004, morreram 112 pessoas, em contexto de violência doméstica. Grande parte das vítimas é mulheres.
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