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Correio da Manhã

Portugal
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Socorro a meio gás

O primeiro dia de greve dos Sapadores do Porto, contra as mudanças no horário definido pela Câmara, ficou marcado por várias contradições.
26 de Julho de 2006 às 00:00
A ‘guerra’ entre sapadores e autarquia começou com a mudança de horários
A ‘guerra’ entre sapadores e autarquia começou com a mudança de horários FOTO: António Rilo
Segundo o que tinha sido estabelecido entre a Câmara e os Sapadores, os serviços mínimos nos dias de greve seriam assegurados por 37 bombeiros, número que ultrapassa os 32 que a autarquia pretende ter de serviço por cada turno, em circunstâncias normais.
Mas ainda mais inusitado foi o que acabou por acontecer. Ontem, a garantir os serviços mínimos estiveram não os 37 bombeiros acordados com a autarquia, mas sim 58, o número normal de homens às terças-feiras, em que há uma sobreposição de dois turnos.
“A ordem emitida pelo comandante Vítor Primo, de manter os 58 homens a garantir os serviços mínimos, vem dar razão aos sapadores e contrariar o vereador Sampaio Pimentel. Mostra que não se pode diminuir o número de efectivos por turno se hoje [ontem] para garantir os serviços mínimos foram precisos 58”, afirmou Carlos Leal, da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), ao CM.
“O compromisso não foi honrado pela Câmara, pelo que vamos apresentar queixa no Ministério do Trabalho”, disse o representante da ANBP, acrescentando que a adesão à greve “foi total”, com excepção para os serviços mínimos.
A ‘guerra’ entre os Sapadores do Porto e a autarquia portuense começou quando a Câmara resolveu alterar os horários do Batalhão. A alteração implicou o aumento de quatro para cinco turnos e a redução em cada turno de 40 bombeiros para 32. Estas medidas, segundo a ANBP, implicam uma diminuição da segurança dos munícipes e dos próprios profissionais. “As actuais condições dos Sapadores do Porto não oferecem garantias de segurança para ninguém”, sublinha Carlos Leal.
Recorde-se que no princípio do mês de Julho os Sapadores do Porto tiveram de pedir ajuda aos Sapadores de Gaia para tentar resolver um caso de afogamento de um jovem no Douro, o que motivou mais críticas entre a Câmara e o Batalhão.
O Batalhão tem actualmente 211 profissionais, número que o sindicato considera muito reduzido, defendendo que para as condições de trabalho e segurança estarem asseguradas deveriam ser 317.
PORMENORES
MOTIVOS
Falta de pessoal e agravada alteração de horários que coloca em causa a segurança dos cidadãos são os motivos da greve levada a cabo pelos operacionais do Batalhão de Sapadores do Porto.
PRIMEIRO DIA
O primeiro de dia de paralização dos sapadores ficou marcado por dois períodos de greve: o primeiro entre as 09h00 e as 13h00 e o segundo entre as 20h00e as 24h00.
SERVIÇOS MÍNIMOS
A negociação entre o sindicato e a Câmara do Porto estabeleceu que 37 bombeiros vão assegurar os serviços mínimos na greve.
MAIS BOMBEIROS
O Batalhão tem actualmente ao serviço 211 profissionais, mas o sindicato defende que deveria ser de 317.
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