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Correio da Manhã

Portugal
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SOCORRO A VÍTIMA POLÉMICO

A família de Arnaldo Sousa Barbosa, vítima mortal de um atropelamento ocorrido anteontem em Braga, acusa o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de “negligência” e de “atraso inaceitável” na operação de socorro ao sinistro.
3 de Setembro de 2003 às 00:00
O acidente, como o CM noticiou, ocorreu na Rua Padre Cruz, na passadeira de peões da Ponte dos Falcões, às 16h10, tendo a ambulância chegado ao local às 16h45, ou seja 35 minutos após o atropelamento, a que não estará alheia a mudança do sistema de socorro implementada precisamente a partir desse dia.
A população, que ali se juntou em grande número, estranhou a demora do socorro e revoltou-se ao verificar que a ambulância era dos Bombeiros Voluntários de Barcelos e não de qualquer uma das duas corporações de Braga, que demoraria, no máximo, cinco minutos a chegar ao local.
Segundo explicou um dos socorristas no local, a corporação barcelense deslocou-se ao local por ordem do INEM, referindo que agora é este organismo que coordena as operações de socorro. Ora, acontece que o distrito de Braga tinha sido integrado nesse dia no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), organismo do INEM que, para o Norte, está sediado no Porto.
A verdade é que a vítima perdeu muito sangue e, embora tivesse sido transportada ainda com vida para o Hospital de S. Marcos, em Braga, acabou por não resistir aos ferimentos. José Barbosa, filho da vítima, indicou ao nosso jornal: “Alguém tem de assumir responsabilidades.”
Em declarações ao CM, o médico Nelson Pereira, responsável do INEM, admitiu “algum desconhecimento da região”, por parte dos técnicos do Instituto, mas disse ter havido uma série de informações contraditórias, quanto ao local do acidente, por parte das “várias” pessoas que ligaram para o 112.
“A maior parte das chamadas referiu-se à estrada Braga-Barcelos e a corporação de bombeiros enviada ao local assumiu a área como sua”, indicou Nelson Pereira, sublinhando que, “dada a violência do atropelamento, a vítima não teria, em qualquer caso, hipótese de sobreviver”.
A família da vítima é que não se conforma e o caminho a seguir vai ser delineado hoje, numa reunião que vai juntar José Barbosa e dois irmãos que esta manhã chegam de França, onde estão emigrados.
ATROPELADO NA PASSADEIRA
Para além de a ambulância ter demorado 35 minutos – quando existem duas corporações de bombeiros a menos de um quilómetro de distância (os Voluntários de Barcelos tiveram de percorrer cerca de 20 quilómetros) – Armando Sousa Pereira, 67 anos e residente na freguesia de Aveleda, foi violentamente colhido por um carro quando atravessava a rua numa passadeira. Com duas escolas secundárias a 300 metros, a população teme pela segurança dos alunos.
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