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Correio da Manhã

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Sócrates feroz com condenação de Vara

Três dias após a decisão do Face Oculta, João Araújo vai a Aveiro consultar o caso. Sócrates fica em pânico.
Tânia Laranjo e Débora Carvalho 23 de Outubro de 2017 às 01:55
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Três dias após a decisão do Face Oculta, João Araújo vai a Aveiro consultar o caso. Sócrates fica em pânico
Três dias depois de ter sido lido o acórdão do Face Oculta, onde Armando Vara foi condenado a cinco anos de prisão efetiva, João Araújo, que na altura ainda não era advogado de José Sócrates, foi a Aveiro consultar o processo. Fê-lo a pedido do ex-primeiro- -ministro que estava preocupado com a investigação.

Araújo ficou em choque com o que encontrou. Afinal, a prova era consistente e dificilmente Vara escaparia da cadeia. "Eh pá, bem feito. Está bom, um acórdão muito bem feito", disse Araújo a Sócrates, numa conversa captada no âmbito do processo Marquês.

Sócrates não gostou do que ouviu. Questionou Araújo sobre os pormenores da condenação. "É tecnicamente muito bem feito", disse Araújo. "Porra", respondeu Sócrates. "Eu já não sei o que dizer, pá... Começo a ter medo de todos vós, pá... Não é apenas dos juízes, pá. É também dos advogados. Um medo terrível", ironiza Sócrates que não esconde a irritação: "Você quer-me convencer".

Na escuta telefónica percebe-se que Araújo recua na defesa dos juízes que julgaram o processo. "Eu não o quero convencer de nada! Eu quero convencê-lo de uma coisa: em primeiro lugar, nós temos que analisar as coisas", diz o advogado que continua a explicar a Sócrates que as escutas não foram a única prova do processo.
"Está provado que o Vara recebeu 25 mil euros com base numa conversa telefónica de 25 mil quilómetros", começa por explicar o advogado e Sócrates perde a calma: "Eh pá, parabéns. Olha, podem meter isso pelo olho do c..., pá".

Sócrates também não percebe como é possível o amigo ter sido condenado. Diz que as escutas e as provas indiretas não chegam.

Garante que se não houver transferências bancárias nenhum tribunal pode dizer que houve um suborno. João Araújo desiste de explicar o que quer que seja a Sócrates. Aceita a sua argumentação e remete explicações para mais tarde.

A conversa foi agora transcrita e serve para mostrar que, meses antes de ser preso, em setembro de 2014, Sócrates estava em pânico com a possibilidade de ser investigado. Desdobrava-se em diligências.

"Saber os ordenados no Correio da Manhã"
Numa conversa a 16 de junho de 2014, Sócrates  liga a Afonso Camões a criticar o CM. "São gente perigosa. Uns pulhas. (...) Sabes uma coisa que eu gostaria imenso, é saber quem são, quanto ganham as pessoas do Correio da Manhã, os ordenados dourados, as reformas douradas do Correio da Manhã, os administradores, quanto ganham? Provarem do seu próprio remédio". Camões concorda: "É. Vamos a isso. Vou ver se arranjo um pretexto qualquer lá". Noutra escuta, a 31 de julho de 2014, depois da ‘Sábado’ que  revela que Sócrates tinha sido apanhado na rede do caso Monte Branco, Camões sugere um  processo contra o CM. "Eles estão com o rabo entre as pernas, não anteciparão coisa nenhuma". Já em  maio de 2014, Afonso Camões contactou José Sócrates por telefone dando-lhe conta de ter sabido que este estava a ser investigado.
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