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Correio da Manhã

Portugal
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Sócrates volta à tese da cabala

Carta enviada à SIC não explica suspeitas.
Tânia Laranjo 20 de Agosto de 2015 às 03:00
José Sócrates está preso desde 21 de novembro
José Sócrates está preso desde 21 de novembro FOTO: Paulo Carriço/Lusa
Um processo que visa impedir a vitória do PS nas próximas eleições legislativas. É assim que José Sócrates vê a ação judicial que contra si recai e, numa carta ontem divulgada pela SIC, o ex-primeiro-ministro volta a recuperar a tese da cabala contra o Partido Socialista. "À medida que o tempo passa, cresce a legítima suspeita que este processo tem como verdadeira motivação condicionar as próximas eleições e impedir a vitória do PS. Acontece que isso não compete à justiça, mas à política", diz o recluso 44 da cadeia de Évora, que está preso há nove meses por suspeita de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção ativa e passiva.

Sobre as suspeitas que contra si recaem, nada de novo. José Sócrates volta a não rebater os indícios recolhidos pelo Ministério Público, falando apenas em inversão do ónus da prova. "É como se o velho princípio ‘in dubio pro reo’ ficasse invertido: neste processo é a investigação que goza do benefício da dúvida, não só por parte da opinião pública mais crédula (...) como por parte dos próprios magistrados de instâncias superiores", diz o ex-governante, que fala ainda, na mesma carta, da venda da sua casa a um cidadão paquistanês.

Mais uma vez, ficam por explicar as queixas apresentadas por aquele cidadão, que diz ter sido enganado, já que teria comprado a casa com todo o recheio. Sobre isso, nem uma palavra. Sócrates apenas garante que a investigação ao comprador se deveu ao facto de este lhe ter adquirido uma casa: "A única razão [para a investigação] reside no facto de este apartamento ter sido meu. Já não se trata apenas do respeito que se deve às pessoas, mas de perder o respeito que o MP deve a si próprio", diz.
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