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Correio da Manhã

Portugal
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Solitário no ataque a bancos

Pistola em punho e cara destapada, prima pela descontracção e dispensa companhia no crime. Este homem tem cerca de 30 anos, a videovigilância não o assusta e já terá atacado seis bancos, à luz do dia, na Grande Lisboa. O último foi ontem de manhã, no Fogueteiro, e voltou a fugir com milhares de euros, sem deixar rasto.
28 de Junho de 2006 às 00:00
Pouco passava das 08h30 quando três funcionários do Banco Espírito Santo (BES) foram ontem ‘convidados’ a colocar os braços no ar. Seis roubos depois ninguém garante que aquela pistola não seja falsa, mas certo é que até ontem ainda ninguém se atreveu a arriscar.
Mais uma vez, o assaltante entrou, saiu e fugiu a pé, com grande descontracção “e cerca de mil euros da caixa em notas”, adiantou ao Correio da Manhã fonte policial. E como sempre, as câmaras estavam lá, o rosto deste assaltante já será conhecido dos inspectores da Polícia Judiciária – “branco, moreno, de média estatura e fala correctamente português” – mas, até ontem à noite, continuava a monte.
A vaga de assaltos só acalmou durante o último fim-de-semana, com as dependências bancárias fechadas, depois de, sexta-feira, ter atacado duas vezes no espaço de minutos, em agências das Avenidas Novas, em Lisboa.
Antes disso, já a Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da PJ lhe seguia o rasto por, pelo menos, mais três assaltos em Lisboa. E as características deste homem mantêm-se inalteráveis, pela descrição que as vítimas e testemunhas fazem aos inspectores da DCCB do novo ‘solitário’.
O à-vontade no crime refina a cada dia que passa. O assaltante ataca com grande determinação e, de pistola apontada, dirige-se directamente à caixa. Escolhe as horas menos movimentadas nos bancos e prefere levar menos dinheiro, em poucos segundos, do que perder mais tempo e arriscar-se a ser apanhado.
Na fuga não hesita. Sai a pé, corre e, “se tem um carro estacionado, é sempre fora da zona”.
OUTROS QUE ROUBAVAM SOZINHOS
Os assaltos a bancos em nome individual raramente deixam rasto, são mais difíceis de investigar e dispensam a repartição dos lucros. É assim que actua o novo ‘solitário’; foi assim também que, entre Setembro de 2004 e Maio último, um guarda-costas de 28 anos atacou 26 bancos na Grande Lisboa – e era assim que, no seu tempo, fazia o verdadeiro ‘solitário’, Manuel Simões, ao assaltar 27 agências bancárias na região Centro do País entre Junho de 1998 e Agosto de 2000. De pistola em punho, o segurança profissional entrou nos 26 bancos de óculos escuros e boné na cabeça. Entre Lisboa, Loures, Amadora, Cascais e Setúbal amealhou 70 mil euros e saiu sempre com enorme à-vontade. A PJ só o apanhou no último mês de Maio e está em prisão preventiva. Quanto a Manuel Simões, os 27 assaltos renderam-lhe 525 mil euros, mas cumpre 15 anos de cadeia, em Coimbra. E o novo ‘solitário’ só rouba pequenas quantidades de cada vez, para não perder tempo. Mas continua a monte.
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