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Correio da Manhã

Portugal
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SOLTEM OS PRISIONEIROS

Familiares e amigos de militares da Brigada de Trânsito da GNR em prisão preventiva por suspeita de práticas de corrupção protestaram ontem em frente ao Presídio Militar de Tomar, por considerarem “completamente inadequada” a medida de coacção aplicada.
26 de Abril de 2003 às 00:00
“Passados quase seis meses, os processos estão parados, não há acusação formal” e os detidos “estão para aqui esquecidos”, defenderam os participantes no protesto, sugerindo em alternativa à prisão preventiva a prisão domiciliária ou a fixação de termo de identidade e residência, por não serem pessoas “perigosas para a sociedade”.
O protesto decorreu debaixo de chuva intensa, no final da visita aos detidos e prolongou-se por pouco mais de meia hora.
Os participantes exibiram uma faixa com a frase “Soltem os prisioneiros” e vários cartazes a criticar a forma como este processo está a ser conduzido pelas autoridades policiais e judiciais, além de um cartaz em cartolina negra a questionar: “Quem investiga a PJ?”.
Num rádio de pilhas empunhado por uma das manifestantes ouviram--se repetidas vezes dois temas musicais conhecidos: “Soltem os prisioneiros” e “Grândola Vila Morena”.
“Este protesto, preparado quase de um dia para o outro, foi o primeiro passo em defesa dos nossos amigos e familiares e marcado para este dia para assinalar o Dia da Liberdade, mas a seguir vamos protestar para junto da Assembleia da República”, indicou uma das participantes, Ana Fonseca, adiantando que a data ainda não está marcada, mas será “uma coisa em grande”.
No protesto de ontem participaram 16 pessoas, que apontaram o ‘dedo’ em várias direcções, criticando o segredo de Justiça, que “impede os advogados de defesa de actuar nesta fase do processo em que ainda não há qualquer acusação formal”, e também o comando da GNR, que “despejou os militares no presídio sem lhes prestar, assim como aos familiares, qualquer apoio”.
Em comparação com “outras situações” na GNR, as detenções “só se verificaram por pertencerem à Brigada de Trânsito”, defendeu Dália Rocha, amiga de um dos detidos, salientando que “está em causa a imagem da instituição, que tem ao seu serviço inúmeros militares correctos, que arriscam a vida todos os dias e disso ninguém fala”.
Foram ainda apontadas pelos manifestantes “situações duvidosas sobre oficiais da GNR”, em relação aos quais “não consta na Comunicação Social qualquer investigação ou procedimento criminal”.
Os participantes no protesto insurgiram-se também contra a “desigualdade” na aplicação das medidas de coacção, por nem todos os suspeitos estarem presos e pelo “direito à liberdade”.
JUDICIÁRIA APANHOU 17
São quase quarenta os militares da Brigada de Trânsito da GNR que estão presos preventivamente no Presídio Militar de Tomar, desde o início de Novembro, quando a Polícia Judiciária (PJ) desencadeou a ‘Operação Centauro’.
Dos militares pertencentes ao Destacamento da BT de Albufeira, os primeiros a ser detidos, há mais de um ano, 25 no total, apenas um se encontra ainda em prisão preventiva em Tomar.
Desencadeada pela PJ, a ‘Operação Centauro’ levou à realização de mais de 90 buscas domiciliárias e a empresas e à detenção de 52 militares da BT da GNR, por suspeitas de alegadas práticas corruptivas relacionadas com a actividade estradal. No total foram detidos 77 militares.
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