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Correio da Manhã

Portugal
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Sotero intimida vítimas por carta

Violador de Telheiras escreveu a raparigas a quem forçou a prática de sexo. E ofereceu vales em dinheiro “para compensar comportamento indigno”.
12 de Janeiro de 2011 às 00:30
Henrique Sotero confessou ter violado 40 jovens em cinco anos. Predador sexual agredia vítimas a murro e exigia os seus bens pessoais
Henrique Sotero confessou ter violado 40 jovens em cinco anos. Predador sexual agredia vítimas a murro e exigia os seus bens pessoais FOTO: Mariline Alves

Detido em Março do ano passado, Henrique Sotero surpreendeu os investigadores da Polícia Judiciária (PJ) quando confessou ter violado quarenta raparigas em cinco anos, apesar de apenas treze terem apresentado queixa. Soube-se agora, a poucos dias de começar o julgamento, que aquele que ficou conhecido por violador de Telheiras surpreendeu as vítimas com cartas enviadas na quadra natalícia. Nelas, incluiu um vale de 20 euros, como forma de "compensar o comportamento indigno", pode ler-se nas cartas, apurou o CM.

Pelo menos dez raparigas já receberam as respectivas cartas, escritas a computador, apenas com a assinatura do violador manuscrita. Henrique Sotero deseja um bom ano às vítimas e começa por "pedir sinceras desculpas" pelo que lhes fez – onze jovens foram obrigadas à prática de sexo oral e algumas delas agredidas a soco por oferecerem resistência.

No decorrer do processo, apenas cinco das vítimas se tornaram assistentes, mas todas foram notificadas para se apresentarem sexta-feira no Campus de Justiça, naquela que vai ser a primeira sessão de julgamento. As cartas foram enviadas a partir de várias estações dos CTT de Lisboa e, sabe o CM, estão a deixar as jovens aterrorizadas. Recorde-se que, quando foi interrogado pelo juiz de instrução criminal, o violador sabia o nome de todas as suas vítimas.

Preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Lisboa, Sotero foi já sujeito a diversas perícias psiquiátricas por parte de peritos do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML). Um parecer que ateste que Henrique Sotero padece de uma compulsão e, por isso, tem imputabilidade diminuída, pode vir a ser um trunfo para a defesa conseguir uma diminuição da pena a aplicar.

Henrique Sotero vai ser julgado por um colectivo e a apoiá-lo estarão os familiares, bem como a companheira, que serão também suas testemunhas de defesa.

"DE ALGUMA FORA SEMPRE TEVE APOIO"

Os advogados das vítimas de Henrique Sotero confirmaram ao CM a existência das cartas enviadas pelo violador de Telheiras durante a quadra natalícia. "Confirma a suspeita de que ele nunca actuou sozinho. De alguma forma sempre teve apoio. Como é que ele imprime cartas na prisão? É a prova de que alguém está a colaborar para intimidar as testemunhas antes de o julgamento começar", disse um dos causídicos.

Outro dos advogados sustenta que "poderá ser uma manobra da Defesa". No entanto, o mesmo desconhece "qual a vantagem ganha com um expediente deste género. Pode assustar algumas vítimas, mas também pode ter o efeito contrário noutras".

Segundo o CM apurou, as cartas enviadas às vítimas ainda não foram juntas ao processo.

PERÍCIA PSIQUIÁTRICA ESTÁ CONCLUÍDA

O violador de Telheiras foi observado no mês passado, pela quarta e última vez, pela equipa do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, constituída por uma psicóloga e um psiquiatra, que estão a traçar o perfil de Henrique Sotero. A análise é fundamental para que o predador, que está acusado de 74 crimes – entre violações, roubos, coacção sexual, rapto e sequestro –, possa ser considerado imputável ou não, o que terá consequências na eventual pena a atribuir.

Antes da violação, Henrique Sotero exigia saber as experiências sexuais das suas vítimas, perguntando-lhes sempre se eram virgens. Além das relações sexuais, as raparigas eram ainda obrigadas a entregar os bens pessoais, principalmente dinheiro.

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