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Correio da Manhã

Portugal
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Subúrbios mais cheios

A coroa de Lisboa (com a Península de Setúbal), a coroa do Porto (com partes dos distritos de Braga e Aveiro) e o Algarve foram, nos últimos seis anos, as zonas do País que registaram maior crescimento demográfico. Segundo o Retrato Territorial de Portugal, do Instituto Nacional de Estatística (INE), o nosso país conta hoje com 10 569 milhões de habitantes, cerca de 200 mil mais do que em 2000.
29 de Dezembro de 2006 às 00:00
Nos últimos seis anos, a população portuguesa cresceu cerca de 200 mil habitantes
Nos últimos seis anos, a população portuguesa cresceu cerca de 200 mil habitantes FOTO: d.r.
Este crescimento resultou sobretudo da transferência de pessoas do Interior para o Litoral e da chegada de imigrantes. Na diferença entre nascimentos e óbitos o acréscimo no último ano foi de apenas mil pessoas. Hoje, as áreas de Lisboa e do Porto contam, cada, com perto de três milhões de habitantes e o Algarve caminha para o meio milhão. Este forte crescimento demográfico é acompanhado, no entanto, por um esvaziamento dos seus principais concelhos: Lisboa e Porto. Em 2005, na contagem inter-censitária do INE, a capital terá perdido 45 mil pessoas. No Porto, a redução foi de 30 mil habitantes.
O País regista, no entanto, um decréscimo no ritmo do aumento de população, que, em 2005, foi de apenas de 0,14%.
Entre as sete regiões nacionais, Norte, Centro, Grande Lisboa, Alentejo, Açores, Madeira e Algarve, só esta última contraria a tendência de menor crescimento populacional e também a de maior envelhecimento. Assim, no último ano, o Algarve registou um crescimento populacional de 1,3%. Enquanto o Alentejo foi por contraste a única região com quebra demográfica, de 0,2%. Por distritos houve igualmente perdas de população em Vila Real, Bragança, Guarda e Castelo Branco.
O INE aponta ainda para o “acentuar do envelhecimento da população”: em 2005 havia 110 idosos para cada 100 jovens, contra os 109 registados em 2004. O índice de envelhecimento só diminuiu entre 2004 e 2005 no Algarve, que, com Lisboa, foram as únicas regiões a apresentar “maior número de jovens”.
O aumento populacional é acompanhado por maior pressão sobre o ambiente. Em 2005 foram produzidas 4,6 milhões de toneladas de lixo, tendo a recolha selectiva de lixos aumentado 22%.
OS QUE MAIS SUBIRAM
Os concelhos das coroas de Lisboa e Porto tiveram aumento elevado de população: Odivelas, Seixal, Sintra, Oeiras, Cascais, Maia, Valongo e Gaia. Crescimento alto verificou-se a Sul, em Lagoa, Albufeira, Setúbal, Sesimbra, Almada, Moita, Vila Franca de Xira e Mafra. A Norte ocorreu em Póvoa do Varzim, Braga, Famalicão, Trofa, Paços de Ferreira, Lousada, Gondomar, Feira e Matosinhos. Ílhavo, Câmara de Lobos e Santa Cruz também subiram.
OS QUE MAIS DESCERAM
As maiores quebras de população verificaram-se em grandes cidades: Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal e nos concelhos do Litoral de Espinho, Amadora e Barreiro. Houve ainda quebras significativas de população em Portalegre, Mação, Abrantes, Alvaiázere, Castanheira de Pêra e Nazaré. No Vale do Douro foram atingidos por forte quebra populacional Cinfães, Baião, Lamego, Resende, Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Tabuaço.
TAXA DE CRIMINALIDADE
Algarve e Lisboa lideraram, em 2005, a taxa de criminalidade: 73 e 50 crimes por mil habitantes, respectivamente. Média nacional foi de 40, num ano em que se verificou um número de crimes – 416 mil – praticamente equivalente ao registado no ano anterior. Um quinto dos municípios ultrapassou a média nacional de crimes, sobretudo nos centros urbanos.
POBREZA
Os Açores registaram a maior taxa de pessoas pobres que recorrem ao Rendimento Social de Inserção (RSI). No País, em 2005 existiam 202 mil pessoas dependentes deste apoio, das quais 20 mil nos Açores. Havia 77 açorianos por cada mil que dependem do RSI. A média nacional foi de 19. Na Grande Lisboa, apenas dez.
OBRAS
As obras licenciadas pelas autarquias decresceram 4,6%. Alentejo liderou com menos 8,1%. Só nos Açores se verificou um aumento de licenças – 1,7% –, num total nacional de 49,5 mil licenças concedidas. O número de empresas baixou de 24 mil para 22 mil.
ENSINO
Foi no Alentejo (13,9%) que mais reprovações e desistências no ensino básico regular ocorreram no ano lectivo 2004/2005: A média nacional foi de 11,5%. Neste ano, frequentaram o ensino básico 1,153 milhões em Portugal, menos 1,1% do que no ano anterior. Nos Açores a descida foi de 4%.
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