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Correio da Manhã

Portugal
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SUCATA RADIOACTIVA PREOCUPA TRABALHADORES

Sucata radioactiva está a ser descarregada num cais do Barreiro. O alerta é do partido ‘Os Verdes’, que, segundo precisou ao CM a dirigente ecologista Manuela Cunha, pediu responsabilidades a vários ministérios – entre os quais o das Obras Públicas, da Defesa e do Ambiente – sem que até ao momento tenha sido tomada qualquer medida.
4 de Dezembro de 2004 às 00:00
De falta de resposta queixa-se, igualmente, António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, o qual solicitou, há três semanas, esclarecimentos ao Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN).
“Os trabalhadores estão preocupados. Não sabem como lidar com este tipo de mercadoria e só se apercebem de ter-se passado algo quando um camião que leva o material para a Siderurgia Nacional deixa de aparecer no cais [de Atlanport, no terminal da Quimiparque, Barreiro]”, adiantou ao CM o sindicalista.
A Siderurgia Nacional - Empresa de Produtos Longos importa sucata de ferro para reciclar na unidade industrial do Seixal e só aí – não no cais – são feitas medições de radioactividade. Segundo o partido ‘Os Verdes’, “por diversas vezes, nestes dois últimos anos, foram detectados teores de radioactividade elevados nessa sucata, o que levou à intervenção do Instituto Tecnológico e Nuclear”.
O especialista do ITN Romão Trindade confirmou, em declarações à Lusa, que tem sido identificada sucata radioactiva em Portugal e em outros países da Europa, ressalvando contudo: “De todas as vezes que o Instituto foi chamado, os níveis encontrados foram baixos e não puseram em causa a saúde pública.” Um dos administradores da Siderurgia Nacional - Empresa de Produtos Longos, António Cavalheiro, considerou “insignificante o que apareceu até agora”. Questionado pelo CM sobre a eventualidade de entrada no cais de um elemento radioactivo, minimizou o risco: “Exceptuando em níveis muito elevados, a radioactividade só é perigosa se o tempo de exposição for longo”. Além disso, “os trabalhadores não mexem nos materiais com as mãos, movimentam-nos com gruas”.
Muito diferente é a percepção do risco do partido ‘Os Verdes’, que criticou a inexistência, nos portos, de mecanismos capazes de evitar a entrada de mercadorias perigosas.
RECICLAGEM COM RECOLHA PORTA A PORTA
O alargamento do sistema de recolha selectiva porta a porta é uma das principais apostas do Plano Estratégico de Resíduos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra, apresentado ontem pela Tratolixo, empresa responsável pela gestão do lixo urbano produzido naqueles municípios. O objectivo é aumentar a reciclagem, já que, atendendo aos resultados de um estudo divulgado recentemente, o sistema porta a porta permite recolher mais material do que os ecopontos. Prevê-se, igualmente, a introdução de uma tarifa em função dos resíduos gerados e não do consumo da água. O plano inclui ainda a construção de uma unidade de digestão anaeróbica em Mafra, para transformação de resíduos orgânicos (restos de comida) em composto e biogás.
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