Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Suicida guardava arsenal de guerra

Quando a PSP entrou anteontem na casa de Raul M., um informático de 46 anos que se suicidara com um tiro na cabeça, descobriu um arsenal de guerra. Vinte e duas armas de diferentes calibres, milhares de munições e até um aparelho de mira usado por atiradores furtivos (’snipers’) que ainda nem sequer se vende em Portugal.
19 de Novembro de 2006 às 00:00
O técnico de informática residia num prédio da Avenida Coronel Eduardo Galhardo, às Olaias, junto à sede da 5.ª Divisão da PSP de Lisboa.
Uma fonte policial descreveu ao CM o lote de armamento apreendido: “Duas pistolas e revólveres, de calibres permitidos a civis, espingardas de tipo ‘shot-gun’ e caçadeiras, uma pistola-metralhadora G3, milhares de munições e um aparelho que lê as coordenadas e a velocidade do vento, usado por ‘snipers’ norte-americanos e que custa pelo menos 15 mil euros”.
Todas as armas terão sido adquiridas pelo pai de Raul M., um oficial da Marinha de Guerra, falecido há cerca de dois anos que, enquanto militar, cultivava o gosto pelo armamento.
Pela morte do pai , Raul herdou a casa e o armamento. No entanto, e tendo em conta que era civil, depressa se deparou com a necessidade de legalizar as armas.
Terá sido este o momento em que Raul M. conheceu o agente da PSP Henrique Martinho, proprietário da espingardaria ‘Caça e Defesa’, situada no rés-do-chão do prédio onde residia. O agente Martinho está em prisão preventiva desde Março, suspeito de integrar uma rede de tráfico de armas.
“A PSP investiga a possibilidade de quer as licenças de uso e porte de arma, quer as licenças de detenção de armas no domicílio, necessárias para ter em casa armas de calibre de guerra, terem sido arranjadas pelo agente Martinho”, disse outra fonte.
O arsenal apreendido no domicílio do informático foi levado para o Departamento de Armas e Explosivos da Direcção Nacional, que vai analisar todas as peças.
Ver comentários