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Correio da Manhã

Portugal
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SUICIDOU-SE APÓS MATAR MULHER

A amargura nas palavras que o casal trocava foi ontem resolvida a tiro. É que apesar de partilharem o mesmo local de trabalho e a mesma casa, na Freixeira, Loures, o casal estava há muito ‘separado’. Ela encarregava-se da estação de serviço, ele da secção de pneus. E foi lá que a amargura acabou: Luís Carvalho matou Conceição e suicidou-se a seguir.
21 de Agosto de 2004 às 00:00
Ninguém sabe ao certo a origem do acto, mas num ponto a vizinhança é unânime: estavam em processo de separação há pelo menos três anos e as desavenças do casal, com três filhos, todos maiores, eram visíveis nas palavras que trocavam durante o período de trabalho.
A estação de serviço onde trabalhavam como sócios está fechada para férias. Mas foi lá, onde também está localizada a casa de ambos, que Luís esperou ‘São’.
Ao que o Correio da Manhã apurou, Conceição não terá dormido em casa na noite de ontem.
Desconfiando que a esposa já teria outro homem e opondo-se ao divórcio, Luís fez-lhe uma espera em pleno recinto da estação de serviço. Foi aqui que a tragédia aconteceu.
Conceição, 45 anos, chegou no seu carro pelas 07h00. Ouviram-se sete tiros. E quem, por essa altura, abriu a janela viu os dois estendidos no chão.
Luís, de 47 anos, matou a mulher e suicidou-se a seguir com um tiro na cabeça.
INFEDILIDADE É UMA CAUSA
Têm sido cada vez mais frequentes os casos em que, por problemas conjugais, o homem mata a mulher e suicida-se a seguir. Recorde-se o caso de Benavente, noticiado pelo CM no início deste mês, em que o próprio homicida deixou uma nota à família onde declarava a sua ‘sentença’. Contactado pelo nosso jornal, Américo Baptista, psicólogo e docente na Universidade Lusófona, explicou que estes crimes – conhecidos por ‘violência de género’ – estão relacionados com três questões: infidelidade, ciúmes ou, nalguns casos, por suspeitas da verdadeira paternidade dos filhos. Em casos de infidelidade, “o crime acontece quando há um perídodo em que o homem começa a pensar com quem é que a mulher está”, disse o psicólogo. Confrontado com o facto de, nos casos noticiados pelo CM, terem sido sempre os homens os autores dos disparos, Américo Baptista explica que “não há um sexo mais agressivo que o outro, há sim diferentes tácticas de agressão. As mulheres são mais agressivas verbalmente e os homens fisicamente”.
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