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Correio da Manhã

Portugal
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Supremo reduz pena de pedófilo confesso

Obrigava-os a despir a roupa, tocava-lhes no corpo e mandava-os fazer o mesmo. Depois chegava mesmo a masturbar-se em frente às crianças. Foi desta forma que durante mais de um ano um emigrante, de 55 anos, abusou de três irmãos – duas meninas de 9 e 11 anos e um menino de 12, filhos da empregada de limpeza. O caso veio a descoberto em 2008. O pedófilo confessou parte dos crimes e o Tribunal de Moura condenou-o a sete anos de cadeia, pena que o Supremo Tribunal de Justiça reduziu agora para seis anos.
2 de Novembro de 2009 às 00:30
Homem deitava as crianças na cama de sua casa e acariciava-as até se masturbar
Homem deitava as crianças na cama de sua casa e acariciava-as até se masturbar FOTO: Ricardo Cabral

Tudo começou em 2006 quando, após a separação dos pais, os menores começaram a acompanhar a mãe para o trabalho. A mulher passava graves dificuldades financeiras e o pedófilo ofereceu-se para a ajudar: dava de comer às crianças, oferecia-lhes dinheiro e deixava-as tomar banho em sua casa. Daí até aos abusos começarem foi um pequeno passo. Aproveitando-se da confiança que a mãe das crianças tinha em si, o pedófilo levava-as para sua casa. Aí, deitava-as na cama, despia-as e começava a tocá-las até se masturbar. Em outras ocasiões o emigrante chegou mesmo a tirar a sua roupa e a do menino e a obrigar a criança a sentar-se durante vários minutos no seu colo.

Com medo e vergonha, as crianças nada contavam à mãe e os abusos continuaram durante quase dois anos, até que um dos irmãos resolveu dizer o que se passava. O pedófilo foi imediatamente preso e as crianças retiradas à progenitora pois o tribunal considerou que esta teve uma atitude negligente, e decidiu colocar os três menores numa instituição.

EMIGRANTE DIZ SENTIR-SE ENVERGONHADO

Para além de confessar o que fez, o pedófilo admitiu ainda que se sente "culpado e envergonhado" por ter abusado dos menores e que quando ajudou a família nunca o fez com segundas intenções.

Emigrante na Suíça durante mais de vinte anos, o homem voltou para Portugal em 1999, onde trabalhou num bar. Um ano depois o pedófilo abandonou a companheira e desde esse dia começou a envolver-se com adolescentes e crianças, sendo estes os seus companheiros do dia--a-dia. Os exames psicológicos realizados revelaram que o emigrante tem características paranóides. Para além da baixa auto-estima e desvalorização pessoal, o homem revela uma grande instabilidade emocional e os médicos consideram inclusive que há risco de suicídio.

TRIBUNAL SEPAROU OS TRÊS IRMÃOS

Após os abusos serem descobertos, o tribunal retirou as crianças à mãe. Desde esse dia vivem em instituições separadas: o menino foi colocado na Casa Pia e as meninas na Fundação Manuel Gerardo.

Ainda hoje as crianças têm vergonha do que aconteceu. Os menores revelam uma enorme tristeza por terem sido alvo de abuso e têm muita dificuldade em falar do que se passou. Na escola o insucesso dos menores é bem visível e os comportamentos delinquentes revelam a revolta que os irmãos sentem.

Perante o juiz, o pedófilo confessou grande parte dos crimes que cometeu ao longo de quase dois anos. No entanto, durante o julgamento, o emigrante negou sempre ter abusado da menina mais nova. Para além disso, o homem chegou ainda a afirmar que as duas crianças mais velhas se expuseram e "tinham comportamentos provocatórios", o que o motivou a abusar deles.

PORMENORES

RENDIMENTO MÍNIMO

Após deixar de trabalhar no bar, em 2002, o pedófilo passou a viver do rendimento mínimo. Por mês o homem ganhava cerca de 200 euros.

EXIGIU SILÊNCIO

Durante o tempo em que abusou das crianças, o emigrante obrigou-as a ficar caladas e dizia que se contassem o que se passava a alguém ia ser muito pior.

BOM HOMEM

Os vizinhos do emigrante classificaram o pedófilo como sendo um homem simpático e muito simples.

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