SUSPEITAS DE ABUSO

O antigo matador de touros, Armando Soares, apresentou a sua demissão de professor da Escola de Toureio da Moita na sequência de alegadas atitudes menos dignas com alguns alunos da escola.
14.09.04
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O assunto que vinha dominando as conversas nos cafés daquela vila, reconhecidamente apaixonada pela festa brava, teve eco no semanário taurino ‘Farpas’, onde, em declarações atribuídas a Armando Soares, este terá, alegadamente, confessado atitudes menos próprias com os alunos. Ontem, contudo, o antigo matador desmentiu, ao ‘Diário de Notícias’, tais revelações: “É tudo mentira.”
Seja como for, na Moita continua a falar-se de casos traumatizantes de miúdos que foram vítimas de abusos sexuais – o ‘Farpas’ refere que está em causa um aluno de 15 anos –, mas a verdade é que não é conhecida a formalização de qualquer queixa às autoridades.
“Não comento nenhuma notícia nem dou entrevistas. Quem pode falar do assunto é o director da escola, Ismael Cruz”, disse ontem ao CM Armando Soares, de 72 anos, casado, com dois filhos, e que em 1992 foi um dos fundadores daquela escola de toureio, onde agora praticam seis jovens com idades compreendidas entre os dez e os 18 anos.
“Um elemento da direcção deu-me conhecimento de que alguma coisa séria e fora do comum estava a acontecer na escola. Uma situação que punha em causa as relações pessoais do professor com um ou mais alunos. Por isso entendi suspender do exercício das suas funções o senhor professor, enquanto decorria um inquérito interno”, recordou ao CM Ismael Cruz.
Entretanto, como Armando Soares se demitiu, os resultados do inquérito instaurado pela direcção da Escola de Toureio da Moita não terão consequências. “Ao mesmo tempo que foram disponibilizados apoio médico e psicológico ao aluno em causa, e que acabaram por não ser necessários, alertámos os alunos e os seus pais para os direitos que deveriam exercer em liberdade e consciência” sublinhou Ismael Cruz.
Amigo de Armando Soares há muitos anos, Ismael Cruz assegurou que “não tinha, nunca tive, a mínima razão para suspeitar do que quer que fosse”. Mas até por força da sua formação profissional, dado que é advogado, entende que “primeiro está a justiça e depois as amizades”.

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