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Correio da Manhã

Portugal
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SUSPEITAS NA PSP

Quarenta agentes da Divisão de Trânsito (DT) da PSP de Lisboa podem vir a ser alvo de uma investigação da Polícia Judiciária. A decisão está do lado do Ministério Público, que pondera a possibilidade de indiciar os referidos elementos policiais por crimes de burla ou peculato.
5 de Maio de 2004 às 00:00
Em causa está a queixa de um cidadão que, depois de ver o carro rebocado, pagou 60 euros para o reaver a um indivíduo que se identificou como agente policial. Acabou por não receber recibo e ficar sem os documentos pessoais.
Os suspeitos, todos pertencentes ao efectivo da esquadra de reboques da DT, já chegaram mesmo a ser intimados para ser identificados pelo queixoso. No entanto, esta acção resultou inconclusiva, o que motivou o envio do processo para o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), onde ainda se encontra.
Os factos remontam a 15 de Abril. Nesse dia, uma viatura, de marca Ford Mondeo, propriedade do queixoso, médico-psiquiatra de profissão, foi rebocada por elementos da esquadra de reboques da DT de Lisboa na Rua Gomes Freire e levada para o parque policial do Marquês de Pombal.
O proprietário do veículo deslocou-se, nesse mesmo dia, ao parque, com o objectivo de, através do pagamento de uma multa de 60 euros, ‘levantar’ o automóvel. A recebê-lo estava um homem, envergando um fato-macaco, que recebeu o dinheiro. No entanto, o interlocutor do médico-psiquiatra acabou por não passar recibo da quantia recebida, ficando mesmo com os documentos do dono do carro, alegando que necessitava deles para proceder ao envio do recibo, num prazo de sete dias.
O tempo passou e o documento não foi recebido, o que levou o queixoso a deslocar-se, na última sexta-feira, à Divisão de Trânsito, onde fez uma exposição do sucedido. À queixa, o proprietário da viatura acrescentou o facto de que a 24 de Abril, devido à falta de documentos pessoais, não pôde levantar o seu automóvel no Parque do Restelo, depois de ele ter sido mais uma vez rebocado, por estacionamento indevido, também na Rua Gomes Freire.
"NÃO SE SABE SE FOI UM POLÍCIA"
O comandante da Divisão de Trânsito (DT) da PSP de Lisboa, subintendente José Cruz, confirmou ao CM a existência de uma investigação do Ministério Público à corporação que dirige. Por ordem sua, o expediente foi enviado ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), opinando o oficial que “compete agora à Justiça o apuramento de responsabilidades”. No entanto, salienta o subintendente José Cruz, “não existem, de momento, quaisquer provas concretas. Não se sabe se foi, ou não, um polícia que fez aquilo”.
Opinião semelhante tem outra fonte da DT, que preferiu manter o anonimato. O responsável ouvido pelo nosso jornal foi mesmo mais longe, aventando a possibilidade de o queixoso “poder estar de má-fé contra os agentes do ‘Trânsito’”. “Essa pessoa já teve inúmeras vezes o carro rebocado. São conhecidas as discordâncias com o pessoal da nossa esquadra”, adiantou. O mesmo informador apontou ainda o dedo às “fracas condições de segurança dos parques da PSP onde são guardados carros rebocados”. “Qualquer pessoa, fora de horas de expediente, pode lá entrar”, concluiu.
OUTROS CASOS
MULTAS
Uma equipa de investigadores da Inspecção--Geral da Administração Interna (IGAI) esteve, durante quase um ano, a analisar os registos da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, investigando arquivamento ilegal de multas.
DETENÇÃO
Também a IGAI assumiu responsabilidades pela investigação sobre as circunstâncias em que aconteceu a libertação do filho mais velho de Santana Lopes, detido em 2002 por um agente da DT sob a acusação de injúrias.
SETÚBAL
Dois agentes da Esquadra de Trânsito, mas desta vez do Comando da PSP de Setúbal, receberam, a 4 de Fevereiro, voz de detenção, dada pelo seu próprio comandante. Ambos foram acusados de corrupção.
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