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Correio da Manhã

Portugal
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SUSPEITO QUER CASAR COM A SUA VÍTIMA

Um dos suspeitos de pedofilia mais famosos de Portugal saboreia tranquilamente os primeiros dias de liberdade. Longe dos olhares indiscretos e sem dar qualquer sinal de arrependimento. A Justiça merece-lhe um sorriso ligeiramente trocista, os jornalistas um profundo desprezo.
27 de Setembro de 2003 às 00:00
Tudo o que lhe interessa é a Raquel uma das menores que engravidou há dois anos e com quem partilha um discreto primeiro andar bem no centro de Albergaria-a-Velha. Já a Liliana – que engravidou aos treze – vive no limiar da pobreza, numa pequena casa no lugar do Cruzeiro. Há muito que deixou de ser a princesa do homem com quem viveu maritalmente durante dezoito meses.
O Senhor Santos – é dele que se trata – tem pinta de empreiteiro de província. Ao vê-lo assim, com a sua camisa azul clara impecavelmente engomada, as calças beje de recorte clássico, os cabelos grisalhos penteados com régua e esquadro, ninguém imaginaria que teve relações sexuais com duas adolescentes. Foi por isso que passou dez meses em prisão preventiva. Mas foi libertado quarta-feira porque as famílias das ‘vítimas’ recusaram-se a apresentar queixa e o Ministério Público não prosseguiu.
Agora o Sr. Santos foge dos jornalistas como o Diabo da Cruz. “Eu não falo”, diz, com semblante carregado. Ele acredita que o tempo tem asas e o povo memória curta. E que se conseguir passar despercebido toda esta história fará, em breve, parte do passado. Mas não consegue. ”Parece que ele vai casar-se com uma das miúdas”, desabafa um vizinho. “Não comento este assunto. Só diz respeito a mim e a ela”, responde o Sr. Santos quando confrontado com os rumores de que em breve irá levar Raquel ao altar. Dito isto entra no carro e desaparece a alta velocidade.
Raquel assiste a tudo por detrás dos estores. Do alto dos seus dezassete anos deve certamente pensar que Santos de casa ainda fazem milagres. Mas vive trancada em casa porque sabe que apesar da decisão judicial, as pessoas irão continuar a apontar-lhe o dedo. Prefere esquecer que é gente e ser só uma silhueta.
A Liliana também não é gente. É passado. Arrumou o seu caso com o Sr. Santos num canto da memória e agora apenas vive para a filha. “Ele veio cá vê-la mal saiu da prisão”, diz orgulhosa. Deixou algum dinheiro para a pequena e desapareceu. “Ele deve estar de núpcias. Esteve tanto tempo na prisão, devia estar com falta”, remata. Mas não parece magoada.
DA PRISÃO À LIBERDADE
O empreiteiro de Albergaria-a-Velha engravidou duas menores, de 13 e 15 anos. Uma “informação de suspeita” enviada ao Ministério Público pela Comissão Municipal de Protecção de Menores levou à sua detenção preventiva durante dez meses. O homem saiu em liberdade na passada quarta-feira, já que as famílias das vítimas recusaram-se a apresentar queixa.
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