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Correio da Manhã

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Suspeitos de burla em caso de "jogo da pirâmide" ficam em silêncio

Os dois arguidos, de 47 e 52 anos, estão acusados em coautoria de um crime de burla qualificada.
10 de Abril de 2019 às 13:16
Justiça
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Dois suspeitos de terem burlado em 30 mil euros um empresário de Barcelos com promessas de alcançar elevados rendimentos, num caso de "jogo da pirâmide", remeteram-se hoje ao silêncio no Tribunal de Aveiro.

Os dois arguidos, de 47 e 52 anos, estão acusados em coautoria de um crime de burla qualificada.

O processo inclui um terceiro arguido, um homem de 46 anos que foi quem terá tido o papel mais ativo no esquema, que será julgado à parte, por se encontrar em parte incerta.

A sessão ficou marcada pelo depoimento da vítima que disse ter aderido a um jogo que admitiu ser "fraudulento", por confiar num suposto amigo que o teria apresentado ao arguido ausente.

"Disseram-me para levar 30 mil euros e trazia 50 mil no mínimo. Quem me disse era uma pessoa em que eu confiava", disse o empresário.

Questionado pelo juiz presidente quanto à estranheza desta "troca de dinheiro por dinheiro", o ofendido disse ter confiado num indivíduo chamado Paulo, que lhe contou que "também tinha ganho dinheiro assim".

"O senhor Paulo pareceu-me uma pessoa credível e acreditei no que ele estava a dizer. Agora vejo que é ridículo. Até me envergonho disto", afirmou, adiantando que houve muitas pessoas da zona de Barcelos que foram enganadas.

Os factos ocorreram entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015, quando os arguidos convenceram o empresário a entrar no "jogo da pirâmide", com a promessa de obter "elevados rendimentos", levando-o a entregar-lhes a quantia de 30 mil euros.

Por não ter dinheiro suficiente, o ofendido pediu emprestado ao seu pai a referida quantia, que viria a ser entregue ao principal arguido, a 21 de fevereiro de 2015, num restaurante na zona de Anadia.

Durante o encontro, este arguido exibiu-lhes uma mala preta que continha no seu interior oito maços, cujos topos apresentavam notas de 20 e 50 euros, envoltos em papel e fita adesiva castanha.

No final do jantar, o arguido pediu ao ofendido que lhe entregasse o dinheiro como combinado e deslocou-se à casa de banho, com o pretexto de ir conferir o valor entregue, solicitando que o ofendido guardasse a mala e, pouco tempo depois, acabaria por se ausentar do restaurante.

Nessa altura, acrescenta a investigação, o ofendido decidiu abrir a mala utilizando as chaves fornecidas pelo arguido, não tendo logrado o seu intento porque as chaves entregues não abriam o cadeado.

Após ter forçado a abertura da mala, rebentando com a fechadura, constatou que nos oito volumes ali existentes apenas a primeira nota era verdadeira, sendo o seu conteúdo constituído por papeis brancos.
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