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Correio da Manhã

Portugal
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Tabaco abre guerra dentro das cadeias

28 de Maio de 2013 às 01:00

A falta de tabaco no interior das cadeias portuguesas está a provocar tumultos entre os reclusos e a inflacionar os preços. O CM sabe que desde o início da greve dos guardas prisionais, no dia 23, os presos não recebem visitas, nem têm acesso ao bar. Por isso, os cigarros que ainda restam estão agora a ser vendidos a peso de ouro.

Uma onça (31 gramas) de tabaco de enrolar já vale 15 euros dentro das prisões - na rua custa apenas 1,5 euros - e até já há cigarros a serem vendidos avulso por preços que vão desde os 35 aos 60 cêntimos por unidade: um maço de 20 vale 12 euros, o triplo do seu valor comercial.

Por falta de acesso a vários bens normalmente acessíveis, apurou o CM, os reclusos do Estabelecimento Prisional de Sintra recusaram-se a voltar às celas depois do almoço de ontem. A situação, que chegou a fazer temer um motim, só foi controlada pelos guardas prisionais às 14h00, uma hora depois do horário estipulado. Uma situação semelhante viveu-se na cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre.

Fontes contactadas pelo CM afirmaram temer que os problemas se agravem nos próximos dias, uma vez que a greve só termina no próximo domingo, e até lá continuarão só a ser assegurados os serviços mínimos - o que impede a entrada de visitas, os telefonemas para familiares e obriga os reclusos a permanecerem 22 horas por dia fechados nas celas.

"O tabaco está a acabar e o pouco que ainda há dentro das cadeias dá poder a quem o tem. Isso pode desencadear reações violentas entre os reclusos, já descontentes com o impacto da greve", explicou ao CM fonte prisional.

A greve, promovida pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional pára no dia 1, mas será retomada no dia 3 e terminará no dia 8. Só será suspensa caso o Governo aprove o estatuto profissional da classe.

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