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Correio da Manhã

Portugal
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Tabaco gera leucemia

Fumar durante a gravidez aumenta o risco de leucemia infantil. Para as mães fumadoras, fica o alerta: segundo uma equipa de cientistas da Universidade Autónoma de Barcelona, os elementos cancerígenos que compõem o tabaco atravessam a placenta e afectam directamente o material genético dos fetos, provocando lesões que podem dar origem a cancros no sangue.
10 de Março de 2005 às 00:00
É a primeira vez que um estudo faz a associação entre os malefícios do fumo dos cigarros e o aparecimento de problemas genéticos. O trabalho, publicado na última edição do ‘Journal of The American Medical Association’, revista especializada, vai mais longe ao apresentar uma relação directa entre o consumo de tabaco antes e durante a gravidez e a leucemia infantil.
As conclusões chegam depois da análise de células fetais de grávidas divididas em grupos de 25, recolhidas através de um exame de amniocentese. De um lado ficaram as futuras mães que nunca fumaram ou foram submetidas ao fumo passivo, do outro as gestantes viciadas na nicotina, que fumaram dez ou mais cigarros por dia durante pelo menos dez anos e que continuavam a fumar, mesmo grávidas.
Os resultados não deixaram dúvidas: os cromossomas dos fetos de mães fumadoras apresentaram um aumento significativo de anomalias – pelo menos o triplo – quando comparados com os das não fumadoras.
Mais ainda, foi apenas nos fetos das que fumam que se detectou a presença de lesões numa região do cromossoma 11, onde se encontram diversos genes que podem contribuir para o desenvolvimento de leucemias durante a infância e até mesmo a idade adulta.
“É possível que assim seja”, afirma Gonçalo Cordeiro Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria. “Está provado que o tabaco tem efeitos sobre o crescimento dos bebés e não me surpreende que condicione o aparecimento de outros problemas.”
IMPERATIVO FUGIR DO FUMO
Especialistas da Agência de Protecção Ambiental norte-americana consideram este trabalho um passo importante na avaliação do impacto do tabaco em mães e filhos. Apesar de ser necessária mais pesquisa nesta área até chegar a conclusões definitivas, a mensagem que resulta do estudo é clara: “Fumar durante a gravidez é prejudicial para a mãe e para o feto”.
Opinião reforçada por Gonçalo Cordeiro Ferreira. “O tabaco é, por si só, uma causa de morbilidade fetal. Por isso, o melhor é nem começar a fumar, porque mesmo que as mulheres não o façam durante a gravidez, o risco permanece.”
RAZÕES DE SOBRA PARA EVITAR OS CIGARROS
Complicações durante a gravidez, parto prematuro ou aborto espontâneo são apenas alguns dos problemas que resultam do consumo de tabaco durante a gravidez. Indiscutível é também a ligação entre o fumo e o crescimento dos fetos, o que já foi comprovado cientificamente. “A diferença de peso entre filhos de fumadoras e de não fumadoras é clara. Os primeiros são mais pequenos e habitualmente nascem com glóbulos vermelhos a mais. O que acontece é que a oxigenação que recebem é menor, o que causa muitas complicações”, explica Gonçalo Cordeiro Ferreira.
A isto junta-se ainda a incidência de prematuridade nos bebés de fumadoras e as alterações de comportamento em recém-nascidos que, segundo um outro estudo, podem ser semelhantes às provocadas pelas drogas duras. E mesmo que as viciadas no tabaco deixem de fumar durante a gravidez, isso não significa que o bebé nasça livre de qualquer complicação. “O facto de terem fumado antes de engravidar aumenta as probabilidades de alteração das células fecundadas que vão dar origem ao bebé”, explica o presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria.
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