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Correio da Manhã

Portugal
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TAMANHO FAMILIAR

Portugal é um dos países da União Europeia onde as famílias são mais numerosas. Esta é a principal conclusão de um estudo apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o padrão das famílias portuguesas, lançado em vésperas do 10.º Dia Internacional da Família, que se comemora hoje.
15 de Maio de 2004 às 00:00
Já em 2000, Portugal era um dos três países da UE com maior dimensão média das famílias (três pessoas por agregado), continuando a ser, com Espanha, o Estado onde a percentagem de cidadãos a viver em famílias de uma só pessoa era menor.
No entanto, estes números positivos não fazem esquecer os indicadores preocupantes do relatório. Entre 1991 e 2001, o número de famílias unipessoais em Portugal cresceu 45 por cento e o País envelheceu, devido ao crescimento da percentagem de população com 65 ou mais anos e ao número de famílias com idosos (que aumentaram 1,6 por cento, passando a representar 33 por cento do total de famílias em 2001).
Esta tendência deverá manter-se nos próximos anos, pois os portugueses têm poucos filhos, casam-se mais tarde e menos. Pelo contrário, o número de divórcios aumentou 56 por cento em dez anos. A manter-se a tendência actual, Portugal terá oito milhões de habitantes em 2050.
Questionado pelo CM sobre a importância dos dados do relatório, o demógrafo Leston Bandeira, do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), explicou que os resultados já eram esperados, pois há mais de 20 anos que Portugal não renova gerações – as mulheres portuguesas têm uma média de 1,5 filhos, quando eram necesários 2,1. “Estamos no padrão europeu. A nossa taxa de fecundidade começou a descer tarde, mas de forma rápida, no seguimento da mudança de comportamentos que o fim do Estado Novo trouxe”.
FECUNDAR É PRECISO
Quanto a medidas para inverter o envelhecimento da população, Leston Bandeira argumenta que só existem duas alternativas: “Ou a fecundidade volta a subir, com incentivos do Estado às mulheres para conciliarem o trabalho com os filhos, ou recorremos à imigração”.
Mas o estudo do INE indica ainda que decresceu o número de famílias numerosas, onde se incluem os agregados com cinco ou mais pessoas (as famílias com cinco membros diminuíram 18 por cento e as de seis decresceram 43). Os números também não são novidade para o presidente da Associação de Famílias Numerosas, Fernando Ribeiro e Castro, que culpa o Governo: “As políticas fiscais são penalizadoras para quem tem muitos filhos, as deduções são patéticas e os artigos de primeira necessidade têm IVA de 9 por cento”. Ribeiro e Castro considera que quem tem muitos filhos não deve ter privilégios, “mas também não pode ser prejudicado”.
A associação vai assinalar este Dia Internacional da Família com a distribuição de balões no Parque das Nações e com a realização de um conjunto de 21 conferências em vários pontos do País.
NUM MINUTO
SOMOS OS MAIORES
As Famílias portuguesas são das mais numerosas da UE, com 2,8 pessoas por agregado.
ILHAS À FRENTE
É na Madeira e nos Açores que se encontram, em média, as famílias mais numerosas, com 3,3 pessoas por agregado.
FUGA AO NÓ 1
A taxa de nupcialidade teve uma quebra de 7,2 casamentos por mil em 1991 para 5,7 em 2001.
FUGA AO NÓ 2
Número de divórcios entre casais portugueses passou de 1,1 por mil em 1991 para 1,8 em 2001.
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