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Correio da Manhã

Portugal
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TÂNIA PINTO RECUPERA APÓS 10 ANOS DE COMA

Uma jovem de Vinhais que um acidente de viação deixou em estado vegetativo resiste há dez anos aos diagnósticos mais sombrios com melhoras que têm surpreendido os próprios médicos.
11 de Agosto de 2003 às 00:00
Tânia Sofia Pinto tinha 15 anos quando, em 19 de Setembro de 1993, um acidente de moto a deixou em coma. Depois de quase oito anos sem qualquer movimento, a jovem começou por mexer os dedos, agora levanta o braço esquerdo, move a cabeça e os olhos.
O médico que a acompanha, António Gonçalves, acredita ainda que a jovem tem sinais de audição e visão e espera que, em breve, ela deixe de estar acamada e possa utilizar uma cadeira de rodas.
As melhoras da Tânia são encaradas como "uma grande vitória" pelo clínico, e um "caso de sucesso pouco habitual". A jovem sofre de paralisia cerebral, tendo chegado ao centro de saúde de Vinhais com um diagnóstico muito sombrio, com "pouco tempo de vida".
Tânia já tinha, no entanto, superado um diagnóstico feito após o acidente, que apontava para a impossibilidade de sobrevivência. Mesmo confrontada com este cenário, a mãe da jovem não permitiu que desligassem as máquinas.
MÃE MORRE EM ACIDENTE
Pouco tempo depois, na véspera de Natal, a mãe de Tânia morreu num outro acidente de viação, quando ia visitar a filha a um hospital do Porto.
Seguiram-se meses de hospital em hospital, até que os médicos consideraram que a jovem não necessitava mais de cuidados hospitalares. "Agora é um caso de família", disseram.
Os familiares mais próximos são a avó Maria Teresa e a tia-avó Bárbara Gomes, de 72 e 64 anos respectivamente, que, na altura, não encontraram na região uma instituição para a receber. A única porta que se abriu foi a do Centro de Saúde de Vinhais.
A jovem, que faz 25 anos em Outubro, foi ficando, mas para o seu médico e também director daquela unidade, o centro não é o local adequado. "A Tânia necessita (...)de sossego, que não se consegue numa sala de internamento com cinco camas", disse o médico. Lares, instituições vocacionados para este tipo de casos ou mesmo famílias de acolhimento são algumas alternativas possíveis que estão a ser analisadas entre a família e a sub-região de saúde de Bragança.
A questão ganhou agora relevância por o centro de saúde ter previsto para o final do ano a mudança de instalações, onde não funcionará o serviço de internamento.
A tia Bárbara Gomes, tutora da jovem, sabe que os centros de saúde não têm obrigatoriamente de ter internamento, mas está disposta a iniciar uma luta idêntica à de há uma década, quando foi anunciado também o encerramento da valência naquela unidade de saúde. Naquela ocasião, conseguiu recolher 800 assinaturas num abaixo-assinado contra o encerramento do internamento. Acredita que "foi a Tânia quem salvou este serviço" e está disposta a lutar.
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