Rede de sexo violento era restrita a figuras públicas e empresários endinheirados
As orgias organizadas nos luxuosos hotéis da linha de Cascais e do Algarve estavam acessíveis a um grupo muito restrito. A fortuna ou o estatuto de figura pública era requisito necessário para se entrar na rede de sexo à qual famosos como José Castelo Branco pertenciam. Figura central nesta roda é a mulher de um empresário de Famalicão, João Ferreira. Ela acusa o marido de a forçar, sob ameaça, a participar nas sessões de sexo em grupo.
Nem todos se conheciam nesta rede, mas as mulheres tinham uma marca que as identificava: a tatuagem de uma serpente no tornozelo esquerdo. A marca permitia que os membros da rede soubessem que estavam na presença de uma mulher que participava nas orgias e que estava disposta a ter sexo.
Nas imagens juntas ao processo, a mulher de João Ferreira exibe também a tatuagem da serpente no tornozelo. Tal como ela, outras jovens surgem em fotografias com a mesma marca.
As orgias eram realizadas num ambiente de total luxúria e os intervenientes actuavam sem pudores. João Ferreira, de 47 anos, surge em imagens despido no corredor de um hotel e em outras fotografias mulheres estão seminuas nas varandas. No processo há também imagens de uma orgia numa zona junto a um rio.
O vídeo que o CM viu e no qual Castelo Branco surge num encontro sexual com o casal Ferreira terá sido apenas uma das festas organizadas pela rede.
A gravação da orgia dura 19 minutos e data de 7 Maio de 2006, às 15h45. Decorre num luxuoso hotel com decoração em tons claros. E nem nos encontros sexuais Castelo Branco descuida a aparência: surge com um valioso páreo da marca Chanel que despe para manter relações.
ACUSADO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
O Ministério Público de Famalicão acusa João Ferreira de violência doméstica (em que se inclui a coacção sexual sobre a mulher) e detenção de armas. Em causa estão violentas agressões à mulher desde o início do casamento, em 1999, que chegaram a ser presenciadas pela filha. Na busca feita à casa foram encontradas pistolas e munições. Pelo crime de violência doméstica o arguido incorre numa pena até cinco anos.
"ERA VIOLENTO E TINHA MUITAS ARMAS EM CASA"
João sempre foi tido como um homem muito violento e andava frequentemente armado. Usava sempre uma pistola no tornozelo e chegou a ameaçar a mulher em público com uma arma.
Os ex-funcionários da empresa de resíduos têxteis que possuía em Ribeirão, Famalicão, admitem que sempre tiveram receio.
"Era muito violento, tinha muitas armas em casa e no trabalho. Vivíamos com medo que cometesse uma loucura", disse um ex--funcionário.
'CONDE' FOI VÁRIAS VEZES A LOUSADO
A estranha amizade entre João Ferreira e José Castelo Branco era muito comentada na freguesia de Lousado, em Vila Nova de Famalicão. No ano de 2006, altura em que o ‘conde’ participou no ‘Circo das Celebridades’, o empresário e Castelo Branco foram vistos juntos pela primeira vez. O ‘rei’ do jet-set chegou mesmo a estar na casa da mãe de João, com quem falou durante várias horas. "Vi pelo menos uma vez o Castelo Branco na casa da mãe do João. Veio passar um dia a Lousado. De resto, andavam sempre juntos para todo o lado, pareciam ser muito amigos", explicou ao CM um vizinho do empresário.
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