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Correio da Manhã

Portugal
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TAXISTA DESAPARECIDO

Um taxista de 63 anos, residente em Sesimbra, está desaparecido desde terça-feira. Albino Miranda de Freitas, natural da Madeira, é um homem de hábitos certos, que trabalha há 30 anos para o mesmo patrão.
26 de Abril de 2003 às 00:00
A última vez que os colegas taxistas o viram foi na manhã de terça-feira. “Não é possível perceber uma coisa destas”, desabafa ao Correio da Manhã o seu patrão, Carlos Rui.
“Trata-se de uma pessoa que já trabalhou para o meu pai e que em 30 anos de profissão nunca falhou com nada. É sério a toda a prova”, adianta Carlos Rui, incapaz de esconder a preocupação. Ao lado, o seu irmão, Luís, concorda. “Isto vai ter um desfecho. Mas pode ser dramático”, indicou.
Por agora, ninguém sabe muito bem o que pensar. GNR e Judiciária já foram avisadas do desaparecimento, do taxista e do táxi, o qual estava sempre a seu cargo, mas informações há muito poucas.
Sabe-se que Albino Miranda trabalhou até cerca das 19h00 de segunda-feira, que jantou no restaurante habitual e que, como normal, entrou cedo na casa onde tinha um quatro alugado há 15 anos.
“Segundo me contaram alguns taxistas, ele foi visto pela última vez às 07h00 da manhã de terça-feira”, explica Carlos Rui. “Até era o dia de folga dele, mas foi trabalhar... Sentia-se melhor lá.”
Muito conhecido
Albino Miranda tem 63 anos, prestes a fazer 64. Em Sesimbra, todos o conhecem pela camisa branca e a inconfundível camisola vermelha, que nunca larga. É motorista de táxi há cerca de 30 anos. “Um empregado exemplar”, garante o patrão.
O taxista, solteiro, vive sozinho num quarto alugado a uma senhora, numa das principais artérias da vila. E em 15 anos nunca passou uma noite fora. “O que torna tudo ainda mais estranho”, diz o patrão.
Além de um irmão, que está emigrado na Austrália, não se lhe conhece família, nem na Madeira, de onde é natural, nem no continente. l
CONHECIDOS, VIZINHOS E COLEGAS À ESPERA
Dário Rodrigues tinha guardado duas tijelas de sopa de favas para Albino Miranda. Ficaram de terça-feira para quarta e de quarta para quinta-feira. Mas o taxista nunca mais apareceu. “Era a sopa preferida dele e foi por isso que a guardei”, contou ao CM o proprietário do restaurante ‘Leão’, no Largo Luiz de Camões, em Sesimbra.
Abílio Miranda é presença assídua à mesa do restaurante. “Vinha aqui quase todos os dias. Comia uma sopa e duas sandes e depois ia embora”, recorda Dário Rodrigues.
Saindo do restaurante, Abílio Miranda descia as escadas até à Avenida da Liberdade, virava à esquerda e todas as noites parava no número 29, onde mora num quarto do primeiro andar. “É uma excelente pessoa, sempre certinho”, conta Paula Ribeiro, vizinha do rés-do-chão, que viu o taxista pela última vez na segunda-feira.
Pela manhã, sempre cedo, Abílio Miranda costuma atravessar a estrada e pegar ao trabalho no Largo 5 de Outubro, na praça de táxis de Sesimbra. “Desde segunda-feira que não o vejo”, refere ao CM Mário Duarte, taxista.
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