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Correio da Manhã

Portugal
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TEATRO DEIXA FELISBELA IMPACIENTE

Felisbela foi ontem, pela primeira vez, ao teatro, em Massamá, Sintra. A peça, baseada na obra do escritor Eça de Queiroz e aconselhada a crianças com mais de 12 anos, tornou-se maçuda para uma menina de seis.
12 de Maio de 2003 às 00:00
“Quis sair ao intervalo. Estava impaciente. Disse que estava cansada”, contou o pai, José Dias. “É que ela não gosta de estar quieta e fechada muito tempo”, justificou José. E Felisbela confirmou ao CM: “Estava farta de estar sentada. Mas gostei de tudo.”
Acompanhada pelos pais, padrinhos e pela filha mais nova destes, Sandra, de 11 anos, a menina baleada na cabeça no infantário acabou a tarde no Jardim de Queluz, a andar de baloiço e escorrega.
Já a manhã tinha sido ocupada com uma visita à Feira de Carenque, no concelho de Sintra. Também com os padrinhos e os pais, Felisbela foi muito requisitada. “Reconhecem-na e oferecem-lhe de tudo”, conta o padrinho, Américo Lourenço, revelando que ontem, na feira, Felisbela recebeu muita roupa, além de cumprimentos de muitos populares.
Nessas manifestações, o pai aproveitou para a provocar: “Disse-lhe: ‘Vês, és uma vedeta’. E ela respondeu-me: ‘Não sou nada’.”
Desde que foi baleada a 16 de Abril, a menina ambiciona ser professora. Mas, desenhar é o que mais gosta de fazer e José estimula-a. “Digo-lhe para ir para o quarto fazer desenhos. É uma forma de estar sossegadinha e descansar disto tudo.”
REGRESSO AO HOSPITAL
Felisbela regressa hoje ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, “para ser vista pelo seu médico assistente”, revelou o pai, José Dias. A consulta está marcada para as 10h00.
Depois de ter tido alta, na passada quinta-feira, a menina tem tomado os medicamentos receitados pelos médicos. “São gotas que têm de ser diluídas na água”, conta José, referindo que Felisbela faz cara feia. “Refila muito e diz que é amargo mas com um bocadinho de paciência...”, conta o pai.
Já chocolates e chupas-chupas são coisas que a deliciam. “Mas não pode comer muitos porque quando tinha dois anos teve uma gastrenterite”, recorda José.
Depois da consulta marcada para hoje, Felisbela regressará ao hospital na sexta-feira para ser observada por um neurologista. É que a menina continua com a bala alojada no sistema nervoso central.
Recorde-se que, após ter sido atingida pelo projéctil, a menina foi submetida a uma intervenção cirúrgica durante a qual se limpou toda a zona atingida mas a bala não foi retirada devido à perigosidade desse acto.
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