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Correio da Manhã

Portugal
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Técnicos de contas investigam ex-autarca

O contabilista e ex-autarca da Batalha Rui Trovão, suspeito de desviar 1,7 milhões de euros aos clientes, vai ser investigado pela Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC), segundo apurou ontem o CM.
2 de Maio de 2009 às 00:30
Rui Trovão, ex- autarca da Câmara da Batalha e responsável pela empresa Contibatalha, é suspeito de ter ficado com o dinheiro dos clientes
Rui Trovão, ex- autarca da Câmara da Batalha e responsável pela empresa Contibatalha, é suspeito de ter ficado com o dinheiro dos clientes FOTO: Rui Miguel Pedrosa

Os inquéritos podem estender--se aos outros três técnicos ao serviço na Contibatalha, caso venha a provar-se o seu envolvimento no desvio das verbas que se destinavam ao pagamento das contribuições às Finanças e à Segurança Social.

Logo que tomou conhecimento das suspeitas sobre a Contibatalha, o presidente da CTOC, António Azevedo, 'mandou instaurar um inquérito ao responsável pela empresa' – Rui Trovão – revelou Roberto Ferreira, assessor de Imprensa da instituição. Ao mesmo tempo, 'foram pedidas informações às autoridades sobre as queixas apresentadas', para se apurarem eventuais responsabilidades.

Caso o departamento jurídico da CTOC conclua ter havido intervenção ou conivência dos outros três técnicos da empresa de contabilidade, também eles poderão ser sujeitos a sanções disciplinares.

A CTOC tem 76 mil membros inscritos, mas apenas metade exerce efectivamente a profissão de TOC. Apesar deste universo de associados, Roberto Ferreira assegura que os casos em que há motivo para procedimento disciplinar são reduzidos.

As penas variam consoante a gravidade da infracção. As mais leves prevêem apenas uma advertência, mas as graves podem levar à expulsão e proibição do exercício da actividade.

GINÁSTICA FINANCEIRA ARRISCADA

O modo de actuação da empresa liderada por Rui Trovão é simples e recorrente, segundo uma fonte ligado ao sector da contabilidade contactada pelo CM. O cliente entrega o valor das contribuições ao gabinete de contabilidade e fica descansado, pensando ter as contas em dia. Quando recebe uma carta das Finanças ou da Segurança Social a exigir o pagamento de uma dívida, dirige-se ao contabilista para reclamar. Este descansa-o, dizendo que se trata de um erro dos serviços públicos. E vai pagar as verbas em atraso, pedindo uma declaração de não dívida. Entrega o documento ao cliente e volta a deixar de pagar.

PORMENORES

REUNIÃO

Um grupo de empresários lesados pela empresa de Rui Trovão vai reunir-se na próxima semana com o governador civil de Leiria para apresentar o problema.

160VÍTIMAS

Desde que rebentou o caso, os contribuintes começaram a dirigir-se à Segurança Social para saber se tinham dívidas. Já foram detectados 19 casos, no valor de 370 mil euros. Mas o número de lesados pode chegar a 160.

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