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Correio da Manhã

Portugal

Tecnologia ajuda a limpar

Optimizar o processo de recolha de resíduos na região do Algarve é o objectivo da ALGAR – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A. A intenção está em marcha com o recurso a mecanismos informáticos de ponta, como o SAGIR (Sistema de Análise e Gestão de Informação para a Recolha Selectiva) – já em utilização –, e um sistema de informação geográfica, em implementação.
5 de Março de 2007 às 00:00
Operadores/motoristas usam minicomputador para fazer registos
Operadores/motoristas usam minicomputador para fazer registos FOTO: Raúl Coelho
A empresa que faz a recolha selectiva nos ecopontos pretende, desta forma, não só racionalizar meios humanos e técnicos, como incrementar a recolha de materiais recicláveis. “Vamos ter um sistema de informação geográfica, que está a ser desenvolvido em parceria com uma empresa de software, cujo produto final acoplado ao SAGIR irá optimizar a recolha daqueles materiais”, disse ao CM o administrador-delegado da ALGAR, Hélio Barros.
Este é um projecto inovador, segundo aquele responsável, e que poderá ser comercializado tanto em Portugal como no exterior – já existe o interesse de outras empresas –, porque “actualmente ninguém desenvolveu um processo integrado com estas especificações”, refere.
O sistema permite controlar a localização e os níveis de enchimento dos cerca de 3000 ecopontos distribuídos pela região e, num futuro próximo, será utilizado no controlo analítico das actividades das estações de tratamento e de triagem.
“Antes, os operadores/motoristas faziam os registos em papel sempre que procediam à recolha dos recicláveis nos ecopontos colocados na região. Agora, com este sistema é tudo mais fácil”, revela Hélio Barros, para acrescentar: “Desenvolvemos um processo próprio, um sistema de optimização e de informação de gestão. Interessante é que em vez dos computadores normais, que são grandes, utilizamos os ‘ipac’s’. Os minicomputadores permitem registar as rotas, as ruas onde estão os equipamentos e os operadores digitalizam as informações”. Agora, é mais fácil saber se um contentor com papel/cartão, vidro ou embalagens está em vias de ser recolhido ou se ainda tem espaço para acumular material reciclável a fim de ser recolhido na próxima rota.
ALGARVE NA LIDERANÇA
Os algarvios estão sensibilizados para a recolha selectiva. A conclusão é do administrador-delegado da ALGAR, Hélio Barros, e a prová-lo estão os números divulgados pela Sociedade Ponto Verde no final do ano passado: o Algarve foi a região de Portugal Continental a registar melhor capitação em Outubro de 2006, com 30,6 quilos de resíduos recicláveis recolhidos por habitante. Além disso, “todos os anos temos registado crescimentos na região”, revela Hélio Barros. “Todos os concelhos algarvios têm crescido muito na recolha selectiva, o que demonstra que a população está a colaborar neste processo”, refere aquele responsável. Loulé, Portimão, Albufeira, Faro e Lagoa são os concelhos que mais se destacam em termos de produção.
PROJECTO TAMPINHAS
Com o objectivo de reunir o maior número de tampas de embalagens de plástico, cuja reciclagem permitirá oferecer material ortopédico a entidades públicas ou de solidariedade social, a ALGAR, em parceria com os municípios algarvios, estabeleceu um protocolo de colaboração com a Associação Tampa Amiga. Com o Projecto Tampinhas, as tampas de embalagens de plástico (de garrafas, garrafões ou outros) depois de usadas e limpas podem ser entregues nas oito estações de transferência da ALGAR, ecocentros da região e no Aterro Sanitário do Barlavento, em Portimão.
PORMENORES
VIDRO
A recolha de vidro na região algarvia tem crescido cerca de 16 por cento ao ano, desde Novembro de 1998, quando a empresa ALGAR iniciou a recolha selectiva. No ano de 1999, registaram-se 2900 toneladas e até Outubro de 2006 já tinham sido recolhidas 7300 toneladas.
EMBALAGENS
O crescimento na recolha de embalagens ronda os 30 por cento. O primeiro ano começou com 338 toneladas e em 2006 a recolha ultrapassou as 2000 toneladas. O papel/cartão regista crescimentos superiores a 20 por cento. Em 2006 foram recolhidas mais de 5000 toneladas, contra as 1120 do ano inicial.
ENERGIA
A ALGAR explora um processo produtivo de recuperação energética de biogás produzido em aterro sanitário, cuja energia é vendida à EDP. Em 2008, a S.B.Alportel terá uma fábrica a tratar 20 mil toneladas de resíduos orgânicos para produzir cerca de 1,2 megawatts de energia eléctrica.
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