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Correio da Manhã

Portugal
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Tecnologias ajudam crime

Ao contrário do que se pensa, as novas tecnologias não ajudam só os investigadores, mas mais ainda os criminosos. "Aumentam a sua margem de mentira", disse ontem, no Porto, o director da PJ da Madeira, Carlos Farinha, no II Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça.
5 de Outubro de 2008 às 00:30
Director da PJ-Madeira esteve ontem num congresso forense, no Porto
Director da PJ-Madeira esteve ontem num congresso forense, no Porto FOTO: João Miguel Rodrigues

Durante o debate ‘A detecção da mentira em contexto de investigação Criminal’, Carlos Farinha exemplificou com os crimes cometidos através da internet, sobretudo relativos ao comércio electrónico e burlas.

Na área da investigação, o coordenador, há 27 anos na PJ, considerou a formação e a experiência muito importantes para ajudar os polícias na procura da verdade. "A investigação não pode ser baseada num qualquer gozo livresco de literatura policial, tem de ser feita com regras", disse. Por outro lado, admitiu que "há muitas mentiras que resultam de indícios mal interpretados e não intencionados".

Farinha, que defendeu a melhoria das metodologias investigatórias, respondeu que "há uma diferença entre o dever ser e o efectivamente ser", quando questionado sobre o "ridículo" de no caso Maddie não ter sido impedido o contacto entre "dez amigos à mesa", para evitar a contaminação dos depoimentos.

Elizabete Goulão, especialista do Instituto da Droga e Toxicodependência, abordou as várias formas de detecção de indícios não-verbais da mentira. E Rui Abrunhosa Gonçalves, da Universidade do Minho, congratulou-se por "os tribunais valorizarem cada vez mais a opinião dos psicólogos forenses".

APONTAMENTOS

GUERRILHA NA JUSTIÇA

Carlos Farinha, para quem a verdade "nunca é absoluta", condenou ontem o facto de muitas vezes o sistema judicial ser usado como "arma de arremesso", nomeadamente em situações de "litígio e divórcio".

CRIANÇAS NÃO MENTEM

No âmbito dos crimes de abuso sexual de menores, o investigador sublinhou ainda que "longe vai o tempo em que as crianças eram tidas pelo sistema judicial como "seres absolutamente mentirosos".

POUPAR OS MENORES

Catarina Ribeiro, psicóloga forense e investigadora na Universidade Católica, defendeu no debate de ontem que os interrogatórios devem ser reduzidos ao estritamente necessário para poupar os menores nos casos de abuso sexual.

 

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