Um milhão de clientes da EDP ficou ontem sem electricidade devido a avarias provocadas pelo temporal, num dia em que a subida das águas do Tejo provocou inundações em Vila Franca de Xira, Alhandra, Seixal e Alcochete. Em todo o País, registaram-se mais de 4600 ocorrências devido ao mau tempo.
No Seixal, a água galgou a marginal e inundou cerca de 30 habitações, provocando estragos materiais. Segundo o comandante dos Bombeiros do Seixal, António Matos, 'há 15 ou 20 anos que a água não subia tanto'. 'Isto foi provocado por uma conjugação de factores: maré cheia, vento forte e deve ter havido descarga de barragens', disse ao CM. As casas do Beco dos Calafates foram as mais afectadas. 'Dentro de casa a água chegava-me aos joelhos. Não tenho seguro e muita coisa estragou-se', contou ao CM João Sado, de 57 anos.
No Concelho de Vila Franca de Xira, o Tejo galgou as margens em várias localidades. Segundo a autarca Maria da Luz Rosinha, ocorreram inundações em Castanheira do Ribatejo, onde houve necessidade de retirar de casa duas idosas. Em Vila Franca de Xira, um lençol de água com 20 centímetros de altura cobriu grande parte do centro, a exemplo de Alhandra e Póvoa de Santa Iria. A autarca entende que 'aquando das descargas das barragens no Tejo deveria haver cuidado em contabilizar as horas de preia--mar, o que evitava a inundação' de habitações. O presidente do Instituto da Água, Orlando Borges, rejeita as críticas. 'As pessoas não deviam falar do que desconhecem. As descargas estão a ser feitas de forma coordenada com Espanha e, graças a essa articulação, as coisas têm corrido muito bem', disse ao CM, frisando que estas cheias 'são mais um problema de drenagem urbana'. O Tejo galgou também as margens no Cais do Sodré e Terreiro do Paço. Devido à forte ondulação, os catamarãs que ligam o Terreiro do Paço ao Barreiro navegaram entre Cais do Sodré e Cacilhas, Almada.
A circulação na A16, junto a Agualva-Cacém, foi interrompida durante algumas horas devido à queda de cabos de alta-tensão, divulgou o governador civil de Lisboa, António Galamba. Em Torres Vedras, a queda de uma estrutura provocou ferimentos ligeiros num bombeiro, acrescentou. O temporal provocou também a queda de um telhado num colégio de Loures e de mais de 200 árvores, sobretudo nos concelhos de Torres Vedras e Lourinhã. Na Venda do Pinheiro (Mafra) registou-se uma derrocada de terras.
APONTAMENTOS
FERIDOS E DESALOJADOS
Temporal causou nove feridos, sete deles bombeiros, e 24 desalojados (3 em Matosinhos, 10 em Gaia, 4 em Montemor-o-Novo, dois em Leiria, em Famalicão e em Barcelos, e um em Ferreira do Zêzere).
COMBOIOS PARAM
Mau tempo parou comboios nas linhas do Norte, Beira Alta, Cascais, Douro e Vouga.
ESTRADAS CORTADAS
Queda de árvores condicionou trânsito na A1. Mar cortou Marginal de Cascais.
VENTOS DE 140 KM/H
Na Pampilhosa da Serra o vento atingiu os 140 km/h. Em Lisboa, chegaram aos 90 km/h.
CASAL DE IDOSOS FICA SEM CASA
A queda de um pinheiro no telhado de uma habitação, em Barreira, Leiria, desalojou um casal de idosos, que teve de ser acolhido por uma neta. Maria Silvina, filha do casal, disse que 'o pinheiro estava seco e há outros também em risco de serem derrubados pelo vento. Há sete anos que andamos a pedir ao dono do pinhal para os cortar'. Os idosos tinham acabado de se levantar quando o pinheiro tombou para cima da sua casa e ficaram 'muito abalados' com a situação. O dono do pinhal comprometeu-se em repor o telhado.
BARCOS SOLTOS DÃO À COSTA
No Algarve, o forte vento fez com que alguns barcos se soltassem de onde estavam ancorados.Na Ria de Alvor, três embarcações chegaram bater nas pedras junto à costa do porto, entre os quais um barco propriedade de Aprígio Santos, presidente da Naval 1º de Maio.Houve ainda algumas quedas de árvores e estruturas.
DOIS FERIDOS EM ESTADO GRAVE
O mau tempo causou ferimentos graves em duas pessoas no Norte do País. Em Ovar, uma mulher, de 46 anos, estava a reparar o telhado quando os fortes ventos a fizeram cair. A vítima partiu uma perna e sofreu um traumatismo craniano. Já em Braga, o muro de uma empresa caiu em cim a do gerente, causando ferimentos graves.
NOTAS
LEIRIA: COBERTURA ARRANCADA
Parte da cobertura do Centro de Saúde de Marrazes, Leiria, ficou ontem destruída, em consequência do vento. As chapas foram torcidas e algumas chegaram a ser arrancadas
ALENTEJO: UM FERIDO
Um homem, de 39 anos, sofreu ferimentos graves devido à colisão do carro contra uma árvore, perto de Nisa. Em Montemor-o-Novo, a queda de uma parede fez quatro desalojados
FIGUEIRA DA FOZ: CARRO ATINGIDO
Ao efectuar o corte de uma árvore que tinha caído para a via, uma viatura dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz foi atingida por um pinheiro, nesse momento derrubado pelo vento
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