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Correio da Manhã

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TEM FÍSTULA INFECTADA

Um homem, de 48 anos, vive, desde há cerca de dois anos, momentos de suplício. Uma vida de tormento que lhe surgiu após uma intervenção cirúrgica, do foro urológico, a que foi submetido no Hospital do Barlavento Algarvio (HBA), em 14 de Novembro de 2002.
23 de Agosto de 2004 às 00:00
José Paulo tem nova operação marcada para Setembro
José Paulo tem nova operação marcada para Setembro FOTO: Ana Correia
A partir daí, José Paulo Pacheco Marques Nunes, residente em Monchique, ficou, entre outros problemas, com uma fístula, acima da bexiga, permanentemente infectada e em pus, que além do evidente mau estar, exala cheiros difíceis de suportar pelo doente, como por quem lhe está próximo.
"Isto não é vida, estou farto de andar a caminho do Hospital do Barlavento e ninguém me arranja solução", lamenta, com mal disfarçada tristeza, a que se alia evidente revolta. "Acha isto viver?!", pergunta-nos, invertendo o papel que nos caberia. "O médico que me operou, agora nem comigo fala", adianta a vítima, corroborado na análise pela filha Carla, sua companheira nestas andanças de quase dois anos, num vai e vem de casa para o HBA e Centro de Saúde de Monchique, unidade onde actualmente lhe fazem os pensos.
O início do problema remonta a 14 de Novembro de 2002. José Paulo é operado para extracção de dois cálculos (pedras) alojados entre o rim direito e o uréter. Foram-lhe colocados algália e um cateter, mais tarde substituídos por outros mais largos. "Nessa altura o penso ficava encharcado de urina", conta.
Tira algália, mete cateter, faz e muda penso, foi o rosário diário de amarguras por que passou o doente, que, entretanto, teve alta a 20 de Dezembro, levando dentro de si um cateter e algália. No dia seguinte, "tive de ir ao Centro de Saúde de Monchique, porque o penso estava com urina e com indícios de pus", refere. "O médico manda-me com uma carta para a urgência do HBA e aí fiquei internado até 7 de Março de 2003". Entretanto, passaram-se quatro meses e "nada de positivo me acontecia", diz. Nesse mesmo dia recebe alta, mas volta ao hospital a 18 de Março, para lhe retirarem o cateter e a algália.
NOVO INTERNAMENTO
"Nos meses seguintes os pensos eram feitos em Monchique, recomeçando a perda de urina pela mesma fissura", adianta, salientando que em finais de Abril "fui falar com o médico que me operou, que me disse que um ponto interior estava infectado e o que saía da fissura era pus e por isso, no dia 6 de Maio, voltei a fazer pensos no HBA". Alguns dias mais tarde e de acordo com José Paulo, "o médico constatou que era de facto urina que saía da fissura, tendo-me levado para o bloco operatório no dia 13 de Maio, colocando-me novos cateter e algália e fiquei internado mais uma semana".
Em 15 de Outubro desse mesmo ano de 2003 tiraram-lhe, finalmente, o cateter e a algália, deixando a urina de sair, mas manteve-se o problema do pus. "A fístula dói-me, dá-me mau estar, não suporto isto", lamenta.
Entretanto, "sem acompanhamento do médico urologista que me operou, sou chamado para nova operação, com internamento no passado dia 18 de Agosto". Contudo, adianta José Paulo, quando a luz ao fundo do túnel aparecia, "sou informado de que a operação fora anulada, estando agora agendada para 29 de Setembro. Será desta?", pergunta José Paulo Pacheco Marques Nunes, cidadão português, da União Europeia, no século XXI.
HOSPITAL LAMENTA E ESTUDA SOLUÇÃO
O doente teve uma inesperada complicação durante a intervenção, do foro urológico, a que foi sujeito, referiu ao CM o director do Hospital do Barlavento, lamentando, entretanto, "todos os contratempos por que têm passado o senhor e a sua família". Reiterando a sua permanente disponibilidade para receber o doente e ouvir as suas queixas, o director clínico explicou que o caso de José Paulo "está a ser seguido pelos médicos do HBA".
"A equipa clínica tem tentado resolver o problema sem recurso a nova intervenção cirúrgica, mas se isso não for possível é evidente que avançamos para essa solução". Quanto ao adiamento da operação marcada para 18 de Agosto, Luís Pereira justificou-o "com as férias do urologista que operou o doente, cuja opinião e intervenção no caso é importante".
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