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Correio da Manhã

Portugal
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Temos muita esperança

A família do sargento Luís Gomes está comovida com o apoio manifestado de Norte a Sul do País. “Só temos a agradecer a todas as pessoas. Jamais serão esquecidos”, declarou ontem Jorge Gomes, irmão do militar, que ficou especialmente sensibilizado com a adesão das ex-primeiras-damas Maria Barroso e Manuela Eanes ao movimento. “Temos muita esperança de que ele seja libertado.”
21 de Janeiro de 2007 às 00:00
Edite Manso e Eduardo Patrício com o abaixo--assinado que cir-cula em Cernache do Bonjardim
Edite Manso e Eduardo Patrício com o abaixo--assinado que cir-cula em Cernache do Bonjardim FOTO: Ricardo Graça
Na terra do pai biológico, o sentimento é idêntico. “É uma injustiça o homem estar preso”, diz Edite Manso, de 83 anos, para explicar o abaixo-assinado que circula em Cernache do Bonjardim, Sertã, pedindo a libertação do sargento. São oito folhas, cada qual com 50 assinaturas, que serão encaminhadas para o Supremo Tribunal de Justiça.
O movimento, espontâneo, nasceu na terra de Baltazar Nunes com o mesmo objectivo do pedido de ‘habeas corpus’ – proteger o superior interesse da criança. “As pessoas procuram-me para assinar”, diz Edite Manso. “Ficar com os pais adoptivos é o melhor para a Esmeralda.”
Eduardo Patrício, proprietário do Snack-Bar 120, vai mais longe: “O Baltazar não tem condições para a criar”, declara o comerciante, demonstrando solidariedade com a família Gomes. “Não sei como aguentava se viesse agora alguém buscar a minha Sara.”
Natural do Tojal, Baltazar Nunes reside há quatro anos em Cernache do Bonjardim. Vive com a companheira, Ilda Santos, e um enteado de 14 anos. O carpinteiro, de 26 anos, está a construir uma moradia na aldeia onde nasceu.
Oriundo de uma família humilde, com sete irmãos, Baltazar conheceu dificuldades económicas durante a infância e adolescência. O presidente da Junta de Freguesia do Cabeçudo, António Santos, diz que é um rapaz trabalhador que tem lutado para melhorar a sua vida.
Moradora em Cernache, Celeste Lourenço explicou por que aderiu ao documento: “Assinei porque estou a favor da menina.”
Na próxima segunda-feira, as oito folhas vão ser reunidas e entregues a Isabel Fernandes, mentora do movimento. “Estou contra a Justiça. Amar uma criança não é crime nenhum”, afirma, exigindo a libertação do sargento.
COMO ASSINAR O 'HABEAS CORPUS'
Quem pretende aderir à petição para libertar o sargento Luís Gomes através da providência de ‘habeas corpus’ deve contactar o movimento através do endereço de e-mail fernandojosesilva@portugalmail.pt. Em alternativa, em Lisboa, deve dirigir-se ao escritório do professor Fernando Silva, no Empreendimento das Amoreiras, Torre 2, Piso 10. Também é possível enviar uma declaração assinada e com fotocópia do Bilhete de Identidade através do número de fax 21 383 92 45.
No Porto, as assinaturas estão a ser recebidas na Universidade Católica, à Rua Diogo Botelho, 1327, onde lecciona outra das mentoras do documento, a jurista Maria Clara Sottomayor. O documento tem circulado de mão em mão por vários pontos do País.
Até agora, foram recolhidas mais de 1200 assinaturas, havendo mensagens de apoio e manifestações de adesão a chegar das mais variadas formas, inclusive enviadas para o Presídio Militar de Tomar, onde Luís Gomes se encontra detido.
POLÍCIA VIGIA VISITAS AO PRESÍDIO
As forças de segurança têm estado a vigiar a entrada de visitas no Presídio Militar de Tomar, para apanharem Adelina Lagarto, se esta tentar visitar o marido – o sargento Luís Gomes. Adelina e a pequena Esmeralda estão em parte incerta desde que o Tribunal ordenou a entrega da menina ao pai biológico.
Na semana passada foram emitidos novos mandados de captura em seu nome, mas até agora não foi detectado o seu paradeiro. Na casa onde morava o casal, no Entroncamento, os sinais de abandono são evidentes.
A presença mais recente foi a dos funcionários do tribunal, que afixaram um Edital na porta, na sexta-feira, a informar que Adelina é procurada pela Justiça.
REACÇÕES
CAMPANHA
A Câmara Municipal de Valongo está a promover uma campanha de recolha de assinaturas, de apoio ao sargento Luís Gomes. Até ontem foram recolhidas mais de mil subscrições.
DIREITOS
Os subscritores do pedido de ‘habeas corpus’ para a libertação do sargento vão pedir ao procurador-geral da República mais protecção para as famílias afectivas.
MAGISTRADO
Cabral Silva, o magistrado do Ministério Público de Torres Novas que deduziu acusação contra Luís Gomes, foi chamado ao PGR, para o esclarecer sobre o processo.
CHOQUE
O pediatra Mário Cordeiro ficou chocado com a pena aplicada ao sargento. E não acha benéfica a retirada da criança à única família que ela conheceu.
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