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Correio da Manhã

Portugal
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Temporal no mar destrói costa

O mau tempo dos últimos dias causou um grande avanço do mar em Moledo, Caminha, com cerca de oito metros de areal invadidos pelo oceano. Desde Setembro que o mar tem vindo a ganhar terreno e já tinha roubado à praia mais de 30 metros de areia. Resta pouco mais de um metro e a ameaça às casas é iminente.
18 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Desde que começou o Inverno, o mar já avançou mais de 30 metros, sendo que ontem pouco mais de um metro de areia restava entre a água e os acessos
Desde que começou o Inverno, o mar já avançou mais de 30 metros, sendo que ontem pouco mais de um metro de areia restava entre a água e os acessos FOTO: Nuno Fernandes Veiga

A situação repetiu-se em toda a costa, nomeadamente na Nazaré, onde a areia chegou às casas, e no Estoril, onde o mau tempo provocou estragos no paredão, na zona do Tamariz, com o corrimão de segurança a ceder ao forte batimento do mar. Na Costa da Caparica o avanço do mar continua. A forte agitação marítima provocou ondas entre os sete e os 10 metros.

Em Esmoriz, a noite foi de medo, com os moradores na rua a tentarem proteger as casas do avanço da água.

Nas zonas do Interior, a chuva e o vento forte provocaram inúmeros acidentes, arrancaram árvores e destelharam várias casas. Em Leiria, desabou a parede de uma casa desabitada e no distrito de Castelo Branco algumas localidades perderem o acesso ao telefone (fixo e móvel).

Maria do Carmo Fão, de 70 anos, residente em Caminha, assistiu ontem ao avanço do mar. Garante que a prevenção já devia ter sido feita há muito mais tempo. E reforça que agora é tarde: "A Câmara não liga nenhuma a isto, de ano para ano o perigo é maior. Isto só piora".

A força das águas do mar e o vento forte deitaram abaixo o varandim do paredão e destruíram totalmente uma duna e grande parte do passadiço.

Mário Patrício, vereador das Obras Públicas da Câmara de Caminha, disse ao CM que foram feitas diligências para avaliar a protecção daquela duna. "Devido às marés vivas, o mar invadiu a duna primária e pode mesmo atingir as habitações e o pinhal de Camarido", referiu.

Posição diferente tomou a Junta de Freguesia de Moledo, com a concordância da Administração da Região Hidrográfica, que procedeu à abertura de uma cancela naquela duna, removendo todas as árvores que a separavam do passeio, no intuito de proteger o moinho do avanço da água.

LUZ CHEGOU DURANTE A NOITE

A EDP restabeleceu durante a noite de ontem o fornecimento de luz em todas as zonas que ficaram sem electricidade na quarta-feira devido ao mau tempo. "As pessoas que não tinham energia por problemas relacionados com as avarias têm luz", garantiu Maria Antónia Fonseca. O corte verificou-se entre as 16h00 e as 17h00, afectando zonas rurais de Sintra, Mafra, Leiria, Marinha Grande, Pombal, São Pedro do Sul, Pedrógão e Arganil.

TEMPO MELHORA PARA A SEMANA

O sol só vai aparecer no início da semana, altura em que o Instituto de Meteorologia prevê que a chuva deixe de afectar o território de Portugal continental. Até lá, a precipitação será uma constante em todo o País, acompanhada de trovoada nas regiões Norte e Centro.

"AINDA PODE MORRER ALGUÉM EM ESMORIZ"

A população de Esmoriz, Ovar, viveu ontem uma longa noite de terror com a força das ondas a aproximar-se das casas. Água espalhou por todo o lado pedras, areia e lixo e atingia violentamente as moradias que estavam à beira-mar. A GNR e os bombeiros locais passaram a noite em claro para prevenir o pior dos cenários. "Ainda pode morrer alguém em Esmoriz", dizia indignado Paulo Moleiro, que mora na zona.

O bairro piscatório foi o mais atingido e nem mesmo os sacos de areia nas entradas das casas impediram a invasão da água. As autoridades fizeram o que conseguiram para limpar as ruas inundadas devido às fortes chuvas que já tinham causado estragos durante a tarde. Miguel Gomes, comandante da corporação, disse ao CM que "as ruas de acesso ao bairro foram cortadas numa extensão de 550 metros pela costa". "A madrugada foi muito violenta, pior do que a que se tinha visto à tarde", afirmou, lembrando que contou com a ajuda da população. "Várias famílias ficaram a pé toda a noite, a controlar o mar".

Uma das famílias atingida foi aconselhada a sair da casa, porque aquela corria o risco de ruir, conta Miguel Gomes. "Saíram, mas não quiseram ir para lado nenhum e ficaram toda a noite na rua, a ver como as coisas corriam".

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