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Correio da Manhã

Portugal
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Tendas de mercado entopem avenida

Se surgir alguma emergência nesta rua ninguém sai daqui. Os acessos estão todos obstruídos com as tendas dos feirantes. Há anos que a Câmara promete resolver a situação e não vemos nada.” A crítica de Carlos Francisco, residente na Avenida Manuel Rosa Mendes, em Vila Nova de Cacela, é subscrita por muitos dos seus vizinhos. A revolta dos moradores agudiza-se nos terceiros domingos de cada mês, como ontem, dia de mercado naquela freguesia do concelho de Vila Real de Santo António (VRSA).
19 de Março de 2007 às 00:00
Moradores queixam-se de rua interdita sempre que há mercado
Moradores queixam-se de rua interdita sempre que há mercado FOTO: Sandra Sousa Santos
“Sempre que há mercado ficamos aqui prisioneiros, já nem somos donos do que é nosso”, refere Rita Inês, proprietária de uma hospedaria na mesma artéria de Vila Nova de Cacela. A empresária queixa-se mesmo de prejuízos porque “os clientes deixam de vir no fim-de-semana em que há mercado. Hoje [ontem] não tenho um único registo de entradas”, revela ao CM.
Rita Inês teve necessidade de contratar um segurança para os dias de mercado junto à sua porta, já que “os feirantes entravam com frequência no restaurante para usarem a casa de banho”. Queixa-se também do lixo que deixam ficar.
Maria Madalena Pinto tem uma casa na mesma rua, mas decidiu não frequentá-la nos dias de mercado, devido às dificuldades para entrar e sair da residência.
“No sábado à tarde, já estavam estacas à minha porta. Quando chegamos os feirantes ainda nos perguntam se vamos demorar muito tempo. Não posso entrar na minha própria casa”, queixa-se a farmacêutica, que diz já ter interposto uma providência cautelar contra a autarquia de VRSA. “A advogada ainda disse que não estávamos impedidos de entrar ou sair”, revela.
GNR IMPEDIDA DE PASSAR
O presidente da Câmara, Luís Gomes, reconhece, em declarações ao CM, que este “é um problema com mais de uma década. As pessoas têm razão”, refere, garantindo que vão ser tomadas medidas para resolver o problema das ruas mais congestionadas nos próximos meses. “Até ao Verão o mercado sai das zonas que são objecto de conflito”, promete.
No mercado que se realizou ontem, a GNR, que apreendeu mercadoria contrafeita – vestuário, DVD e CD – no valor de mais de dez mil euros, teve de solicitar a Rosa Inês a passagem pelo interior da hospedaria para carregar o jipe, nas traseiras do edifício, com os artigos. Na rua onde decorreu a acção policial a viatura da GNR não passou.
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