Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

Tenta matar GNR

O homem que disparou sobre um soldado da GNR e se barricou durante dez horas na sua casa em Vale Marinhas, Rio Maior, em meados de Março do ano passado, arrisca ser condenado a vários anos de cadeia. António Feliciano, em prisão preventiva, regressa hoje ao Tribunal de Rio Maior para as alegações finais e está acusado por um crime de tentativa de homicídio, dois de violência doméstica, fogo posto, sequestro e ainda maus tratos.
25 de Janeiro de 2010 às 00:30
António Feliciano está a ser julgado por seis crimes graves e volta hoje ao Tribunal de Rio Maior
António Feliciano está a ser julgado por seis crimes graves e volta hoje ao Tribunal de Rio Maior FOTO: João Nuno Pepino

O julgamento tem decorrido à porta fechada porque o arguido, de 57 anos, estava acusado de violação da ex-mulher, crime que entretanto ‘caiu’ por falta de provas. Na noite dos acontecimentos, 14 de Março de 2009, a moçambicana de 27 anos escapou à loucura do marido com o filho mais velho de um anterior relacionamento, mas sem conseguir retirar-lhe a filha recém--nascida do casal, de 4 meses.

A violência doméstica era bem conhecida pela GNR de Rio Maior, chamada à residência do casal por volta das 02h00, após o menino de dez anos ter ido pedir socorro aos vizinhos. Quando a patrulha chegou, ocorreram duas explosões provocadas pelas torneiras de gás que António Feliciano tinha entretanto aberto para mandar a casa pelos ares, com a família lá dentro.

Ao sentir a aproximação dos militares, o arguido disparou uma arma de caça sobre um dos soldados – que sofreu ferimentos ligeiros numa perna, provocados pelos estilhaços que atingiram o coldre e destruíram a arma de serviço.

A mulher e o filho aproveitaram então para fugir pela janela da casa de banho. António Feliciano barricou-se dentro de casa com a bebé, que só entregou à GNR às 05h30, e permaneceu trancado e armado dentro de casa, ameaçando disparar sobre quem se aproximasse. Acabou por se entregar voluntariamente pelas 13h00, já com uma operação policial de enorme aparato montada no local.

PORMENORES

TRANQUILO

Durante o julgamento, o arguido tem estado "muito calmo e tranquilo", anotando num bloco tudo o que vai sendo dito, disse ao CM uma fonte judicial. António Feliciano está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional das Caldas da Rainha.

FAMÍLIA

Foi através da internet que o arguido conheceu a mulher, 30 anos mais nova e já com um filho. Foi buscá-los a Moçambique antes de se mudar para Vale Marinhas, Rio Maior, há pouco mais de três anos. A família foi deslocada para o Norte, com a ajuda da Linha de Apoio à Vítima.

ARREPENDIDO

Após a detenção, António Feliciano confessou à GNR de Rio Maior estar arrependido dos seus actos. Disse que agiu por ciúmes e por desconfiar que a mulher estaria envolvida em relações extraconjugais. Os vizinhos dizem que era desconfiado.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)