Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Tentou matar a filha à facada

Um homem de 67 anos tentou matar a filha, de dez, esfaqueando-a nos pulsos e no pescoço, e suicidou-se de seguida, no domingo, em Granja do Ulmeiro, Soure. Mário Ruivo enforcou-se na varanda de casa e o seu corpo foi encontrado, pelas 09h00, por uma bombeira da corporação de Soure que passava em frente à mesma.
12 de Fevereiro de 2008 às 00:30
“Quando chegámos, vimos o corpo pendurado na varanda do primeiro andar e, quando entrámos, começámos a ver sangue e demos com a menina no quarto envolvida num cobertor e deitada no chão”, disse ontem ao CM Carlos Tavares, comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure.
A vítima, Isabel, estava “consciente, orientada e sem dores, mas muito apática e em estado de choque”, tinha “um corte profundo no pulso esquerdo e outro mais ligeiro no pescoço”, revelou o bombeiro. Foi transportada ao Hospital Pediátrico de Coimbra, submetida a uma intervenção cirúrgica e deverá ter alta médica hoje.
No interior da casa, os bombeiros encontraram “muito sangue espalhado por várias divisões” e “no meio da cozinha uma botija de gás ligada e com o tubo cortado”. Em cima de uma mesa “estava uma faca com 30 centímetros e uma carta com três folhas escrita à mão onde o pai explicava as razões” do seu acto, disse Carlos Tavares, garantindo que “mais meia hora sem socorro e a menina morria”.
A mãe da menor – Fernanda Ferreira, de 36 anos – tinha abandonado a casa há 15 dias, para ir viver numa aldeia próxima, deixando a criança aos cuidados do pai, reformado e com problemas do foro oncológico. Vizinhos e conhecidos vêem a atitude do sexagenário como “um acto de desespero”.
A Comissão de Protecção de Menores de Soure e o Gabinete de Acção Social da autarquia estão a acompanhar a situação da menor e a PJ de Coimbra está a investigar o crime. O funeral do idoso realiza-se hoje em Covões, Cantanhede, de onde era natural.
CARTAS DE DESESPERO
Na carta, Mário Ruivo “fazia acusações graves à mulher”, responsabilizando-a por tudo o que aconteceu, contou Carlos Tavares, dos bombeiros de Soure. Também a criança, dias antes, tinha escrito uma carta à mãe onde lhe pedia para voltar, disse Alcina Coelho, funcionária de uma loja junto ao prédio onde a vítima residia, acrescentando que o homem já lhe tinha dito “que se ia matar pela vergonha que sentia por aquilo que a mulher lhe fez”. “Dizia-me muitas vezes que era uma responsabilidade demasiado grande porque tinha uma reforma pequena, de 200 euros, e pagava 250 de renda de casa”, adiantou José da Silva, dono de uma oficina, considerando “que era previsível que ele se matasse, mas não que fizesse mal à filha”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)