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Correio da Manhã

Portugal

TENTOU SALVAR FILHO E MORRERAM

Orlando Manuel José, marido e padrasto das duas vítimas do afogamento ocorrido na segunda-feira, ao fim da tarde, na Ria de Alvor, tinha ontem espelhado no rosto a dor e a tristeza.
20 de Agosto de 2002 às 22:03
Num 'minuto' fatídico, perdera dois entes queridos e era difícil conformar-se. “Vi os pobrezinhos a boiar naquelas águas traiçoeiras”, referiu ao Correio da Manhã num choro convulsivo. “Não lhes pude valer. Apenas os retirei da água, talvez já mortos, e liguei ao 112”, salientou, mostrando a sua impotência perante a tragédia.

As vítimas, Maria Alice Guerreiro, de 39 anos, e o seu filho Edgar Florêncio Guerreiro Gonçalves, de nove, tinham ido apanhar berbigão com Orlando, e um filho deste e de Alice, Ruben, com cerca de dois anos.

E foi devido à apanha daquele bivalve que Orlando se distanciou cerca de uns cem metros do local, onde se encontravam os familiares. Por isso, não viu como a tragédia se consumou: “Quando regressei, deparei com o meu Ruben sentado junto à água e a Alice e o Edgar a boiar no 'meio' da ria”, explicou.

O sítio da Espargueira, na freguesia da Mexilhoeira Grande, local ribeirinho onde ocorreu a tragédia, é procurado por muitas pessoas para a apanha de berbigão e amêijoa e, também, por pescadores desportivos.

Foi aí, numa zona onde o sossego e o ar puro prevalecem, que tudo aconteceu. E ninguém sabe como. A única pessoa que poderia contar o que se passou é Ruben. Mas os seus dois anos justificam o desconhecimento da forma como terão ocorrido os factos.

O que poderá ter acontecido, segundo referiram fontes ligadas ao caso, “foi Edgar ter avançado ria dentro e ficado sem pé, num fundão”. Nessa ocasião e ainda conforme a opinião das mesmas fontes, “a mãe, apercebendo-se da aflição do filho, ter-se-á aventurado para o salvar e caído no mesmo perigo”.

Naquela zona da ria, em situação de baixa-mar (vazante), “a água tem tendência em acumular-se em locais fundos, os denominados fundões, onde terão caído as duas vítimas”, explicaram as mesmas fontes, salientando, entretanto, “que nesses fundões a corrente é forte, facto que terá dificultado ainda mais a situação das vítimas”. Estas, segundo confessou Isaura Florêncio, irmã de Alice, “não sabiam nadar”, o que terá contribuído "para o afogamento”.

Alice Guerreiro, natural de Pereiras, Odemira e o seu filho Edgar, estudante nessa localidade (tinha concluído o 4.º ano) tinham residência em Montes de Cima, na freguesia da Mexilhoeira Grande, em Portimão.

Uma equipa clínica do INEM e socorristas dos Bombeiros de Portimão, chamados ao local, ainda tentaram a reanimação das vítimas, que, no entanto, se revelaria infrutífera, limitando-se o médico a confirmar o óbito. A Polícia Marítima tomou conta da ocorrência.
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