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Correio da Manhã

Portugal
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TERMINAL INCENDIOU-SE NO PORTO DE LEIXÕES

Um incêndio que deflagrou ontem, pouco depois das 14h00, numa conduta do terminal de produtos petrolíferos da Petrogal, em Leça da Palmeira, causou apreensão nos veraneantes da praia de Leça, que foi mandada evacuar, e também nos residentes dos prédios que ficam defronte das instalações da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) por onde passam os ‘pipe-lines’.
1 de Agosto de 2004 às 00:00
Dezenas de feridos tiveram que receber assistência por queimaduras ou intoxicações
Dezenas de feridos tiveram que receber assistência por queimaduras ou intoxicações FOTO: José Gageiro
Com o passar das horas os ânimos foram acalmando, porque o incêndio se circunscreveu a algumas secções de um condutor de crude. Num primeiro momento só dois bombeiros foram vítimas de intoxicação pelo fumo e gases, mas um total de 42 pessoas acabaram por ser assistidas por diversos motivos, desde queimaduras, intoxicações e hipotermia devido à água.
Foi cerca das 14h10 que uma primeira explosão violentíssima se fez sentir e as chamas se elevaram a cerca de meia centenas de metros e que começou a sentir-se o medo de um desastre de grandes proporções, ideia que os moradores de Leça da Palmeira têm sempre presente.
Com a intervenção dos bombeiros e os sinais de que a Protecção Civil ia coordenando os meios de combate, as pessoas foram ganhamdo confiança.As chamas e a coluna de fumo espesso eram visíveis num primeiro momento de muito longe. E de mais longe se avistariam os sinais do incêndio no terminal de Matosinhos Leça se a neblina que acompanhava a costa litoral no dia de ontem não obstasse.
Uma segunda explosão verificar-se-ia cerca das 16 h 10, mas já a intensidade foi menor e começou a ceder a breve trecho. Recrudesceria cerca das 17h30 em muito menor escala e era já visível o ar de relativa tranquilidade com que a multidão se foi colocando em torno da área delimitada pelas autoridades policiais, num perímetro de 500 metros de raio, fazendo pouco caso de uma chuva muito discreta de crude ardido que ia pousando no vestuário.
O terminal de produtos petrolíferos e cais de acostagem dos petroleiros é um longo paredão do lado direito do Porto de Leixões. No molhe do lado esquerdo ficam outras condutas de produtos refinados para companhias petrolíferas, o que causava receios se o incêndio se agravasse, Mas a distância é muita. Tudo se circunscreveu a uma secção das condutas, e concretamente numa delas, no local onde o paredão entra na praia de Leça. É daí que os ‘pipe-lines’ seguem em parte sob a praia e em parte sob a via marginal, até cerca de três quilómetros, onde se situa a refinaria da Petrogal, responsável e com corpo de segurança e técnico próprio.
O combate mobilizou 172 homens e 32 viaturas de corporações do Grande Porto. No mar, no início do terminal, uma embarcação despejava água nas conduta, provocando o arrefecimento. Em terra, os bombeiros tentavam abafar o fogo com o lançamento de areia e espuma, sendo assinalados pelos ‘soldados da paz’ a falta de mais espuma.O ataque fazia-se com água, destinada sobretudo a arrefecer as condutas para que o incêndio não se propagasse, caso elas rebentassem.
A primeira explicação foi de incêndio ao fazer trasfega de uma conduta antiga para uma nova conduta.
ASSISTIDOS 32 BOMBEIROS NO POSTO DO INEM
No hospital de campanha que o Instituto de Nacional de Emergência Médica instalou nas proximidades do incêndio do terminal de descarga de produtos petrolíferos de Leça da Palmeira, no complexo do Porto de Leixões, foram assistidos 32 bombeiros, nove dos quais evacuados para hospitais de Matosinhos.
O médico Nélson Pereira, responsável pelo posto do INEM, referiu que nove dos casos evacuados dizem respeito a queimaduras, três a intoxicações por fumo e dois por hipotermia dada o contacto prolongado com a água. Apenas um caso foi considerado mais complicado, devido à extensão da área corporal queimada.
Com cinco equipas médicas deslocadas para o terreno, o INEM manteve-se em coordenação com a Cruz Vermelha Portuguesa e com os bombeiros, para além de ter alertado todos os hospitais da região Norte para qualquer eventualidade mais grave e de ter feito um levantamento do número de camas disponíveis.
O incêndio que deflagrou no terminal de petroleiros do complexo do Porto de Leixões teve origem na passagem de crude de uma conduta para outra.
O INEM manteve-se no local até à extinção do incêndio.
GOVERNO ABRE INQUÉRITO
O governador civil do Porto, Manuel Moreira, anunciou ao final do dia que o Governo vai abrir um inquérito rigoroso às causas do incêndio do terminal petrolífero do Porto de Leixões.
Manuel Moreira garantiu ter contactado logo no início do fogo o primeiro-ministro Santana Lopes, que lhe pediu para acompanhar a situação.
Manuel Moreira disse que o inquérito vai incidir também sobre a Petrogal, tutelada pelo Ministério dos Assuntos Económicos e detentora do oleoduto. Todas as entidades envolvidas serão ouvidas em inquérito, disse.
Também o Ministério da Administração Interna foi por diversas vezes contactado por Manuel Moreira, tendo o governador civil assegurado que este Ministério acompanhou a situação.
A falta no local de qualquer membro do Governo foi criticada pelo presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso de Miranda (PS), que se queixou de não ter sido contactado por qualquer membro da administração central para conhecer a situação.
MAIS DADOS
DESCONFIANÇA
A desconfiança sobre a origem do incêndo chegou a instalar-se. O comandante dos bombeiros de S. Mamede de Infesta fez declarações públicas sobre a existência de máquinas rebarbadeiras nas proximidades da conduta, o que poderia supor que trabalhos de manutenção com estas máquinas pudesse ter provocado a faísca que incendiou. Todavia começou a ser aceite que a trasfega de crude de uma velha conduta para uma nova desencadeou o incêndio. Permanece no entanto por apurar a fonte de fogo que desencadeou o incêndio. É isso que o inquérito deverá apurar.
CONFIANÇA
Narciso de Miranda só quis referir-se aos meios de combate que admitia numerosos, no início do incêndio, mas classificou a situação de “grave”. Mais tarde afirmava que quer conquistar o Governo para a causa que defende há dez anos: a desactivação da refinaria da Petroga no concelho de Matosinhos, que de vez em quando o sobressalta e à população.
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