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Correio da Manhã

Portugal
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Testemunhas intimidadas no julgamento do 'gangue de Valbom'

Uma testemunha-chave no processo do 'gangue de Valbom', respeitante a assaltos a ourives e ao homicídio tentado de um inspector da PJ, mudou a sua versão dos factos após ser intimidada por alguém ligado aos arguidos, assegurou esta quarta-feira uma investigadora.
17 de Outubro de 2012 às 14:54
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Perante o colectivo de juízes da 2.ª Vara Criminal do Porto, a inspectora Carla Pinto, uma das envolvidas na investigação das atividades do gangue, disse ter obtido notícia de que a testemunha Rui Teixeira fora advertida para "ter cuidado" com os arguidos.

Ainda segundo Carla Pinto, a testemunha, um ajudante de ourives, detectou que tinham desapertado os parafusos das rodas da sua viatura, associando um facto a outro.

O ajudante de ourives terá descrito à PJ, a 3 de Setembro de 2008, o arguido Hélder Ribeiro como sendo o condutor de um veículo usado num assalto a um ourives da região Centro. Terá confirmado essa informação 15 dias depois num reconhecimento presencial, mas na sessão deste julgamento, de 26 de Setembro, disse que só o fez porque foi "condicionado" e "pressionado" pela PJ.

Mesmo quando convidado a olhar todos os arguidos, manteve que não reconhecia qualquer um deles e garantiu que, com este seu depoimento, não estava a agir por receio.

O Ministério Público reagiu, pedindo a convocação do inspector que dirigiu o reconhecimento, Joaquim Gomes, que testemunhou esta quarta-feira e negou qualquer tentativa de condicionar a testemunha.

O tribunal decidiu já que este inspector, a testemunha e o seu advogado da altura participarão numa acareação que, em princípio, ocorrerá na próxima sessão, em 7 de Novembro.

O 'gangue de Valbom', que já foi julgado em 2010 por vários crimes, responde agora por outros actos violentos, incluindo assaltos a ourivesarias e a tentativa de homicídio do inspector da PJ Carlos Castro.

Um encapuzado atingiu Carlos Castro a tiro de 'shotgun', em 16 de Abril de 2008, quando o inspector chegava a casa, na viatura pessoal, com os seus dois filhos menores. Ficou ferido no rosto, no pescoço e numa mão, sendo submetido já a diversas cirurgias estéticas.

Além do homicídio tentado, o processo agora em julgamento, com um total de 11 arguidos (um 12.º morreu entretanto), reporta-se a diversos episódios violentos ocorridos em 2008, nomeadamente assaltos a ourives.

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